A mãe viu o filho chorando porque o irmão tinha lhe feito alguma coisa. Ela interpelou o irmão, que lhe respondeu: "Poxa, mãe, eu só estava brincando."
Ela respondeu ao filho: "Não, meu filho, brincadeira é quando os dois riem juntos. Se um ri e o outro chora, não é brincadeira, é maldade.”
1. Humor do Ego / Humor do bem: rir juntos
Vai da simplicidade do trocadilho ao humor mais elaborado em que o Eu brinca com a realidade, desdramatiza a falha e convida o outro a rir junto. É humor que alivia a tirania do superego, preserva a dignidade de todos e fortalece o laço. O melhor retrato disso é a autogozação (self mockery), o clímax da leveza, de não se levar a sério.
2. Humor do Superego / Humor do mal: rir de alguém
É o humor que se alia ao superego para corrigir, punir e humilhar, usando ironia, sarcasmo, ridículo e deboche como instrumentos de disciplina moral. É uma espécie de bullying. Ele não alivia a culpa, reforça-a; não aproxima, hierarquiza — é o rir de alguém em nome do “bom costume”. O Superego o usa para adestrar e homogeneizar as pessoas ao senso comum.
3. Humor da branda implicância (zona intermediária, mais próxima do humor do bem)
É o mais comum entre grupo de homens amigos. Usa a gramática dura do superego (falsos xingamentos, falso ódio, implicância) para, na verdade, ridicularizar o próprio superego e burlar o senso comum. É uma forma de dizer “eu te amo” entre homens por meio de um código invertido, em que se ri com o outro e do superego que proíbe que esse amor seja declarado de frente.
Exemplo: dois casais de conhecidos se encontram por acaso na rua, o homem de cá diz para o de lá: “E aí, viado, tá dando muito esse cu?” E o outro: “Ah, nem tanto quanto a sua mãe!” Quando se afastam, o primeiro diz pra mulher: “Pô, esse cara é demais, eu amo esse cara”.
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