terça-feira, 23 de junho de 2026

CALORIAS: A DROGA QUE VICIOU A HUMANIDADE E PRODUZIU O MAL-ESTAR NA CIVILIZAÇÃO

 




(Esclarecimento inicial: falo em “vício de calorias” e “vício de domínio e submissão” em sentido figurado, para destacar a força sedutora desses arranjos; não se trata aqui de uma descrição nos termos formais dos transtornos por uso de substâncias ou comportamentos aditivos.)

A Revolução Agrícola funcionou como

A Revolução Agrícola funcionou como um grande vício em calorias: seduziu o Sapiens com alívio e abundância imediata, em troca de submissão crescente a uma hierarquia que controla o “tóxico” e produz o mal-estar da civilização.

Pequeno sumário

Ao descobrir que grãos caídos geravam mais grãos e que era possível plantar, criar rebanhos e estocar comida, o Sapiens foi seduzido por um alívio enorme: não precisar mais vagar todos os dias em busca de alimento.

Esse “traficante de calorias” oferecia carboidrato e caloria concentrados, previsíveis e ao alcance das mãos, ativando poderosamente o circuito dopaminérgico de recompensa.

Como em qualquer vício, o benefício imediato parecia compensar, de longe, o custo futuro: em troca da segurança alimentar, a espécie aceitou a sedentarização, a convivência forçada com estranhos, o surgimento de hierarquias rígidas e, com o tempo, um profundo mal-estar ligado à submissão à nova ordem.

Condensação ampliada

A metáfora do vício ilumina com precisão a transição agrícola. O “tóxico” aqui não é uma substância ilícita, mas um pacote de calorias fáceis: grãos que se renovam ano após ano, rebanhos que podem ser controlados, depósitos de alimento que “compram” futuro.

Isso produz um alívio poderoso: não é mais necessário levantar cedo para caçar ou caminhar longas distâncias para colher; o risco de passar fome diminui, a previsibilidade aumenta.

O circuito dopaminérgico reage exatamente como diante de uma droga: a recompensa rápida, concreta e repetível captura o organismo e reduz a sensibilidade aos custos abstratos e distantes.

Nessa dinâmica, o controlador do tóxico ganha poder sobre o viciado. Quem domina a terra fértil, o grão e o estoque de calorias passa a ter ascendência sobre aqueles que dependem disso para viver.

Tal como o usuário de droga que aceita pagar preços crescentes — dinheiro, saúde, dignidade, liberdade — para manter o acesso à substância, as populações agrícolas vão aceitando, em prestações históricas, os custos da nova ordem: perda de mobilidade, sujeição a chefes, desigualdade de status, naturalização de punições e violências. O jogo de domínio-submissão, que antes podia ser episódico, torna-se condição permanente de existência.

É nesse contexto que se instala uma hierarquia estável, ausente nos pequenos bandos de caçadores-coletores. O monopólio do tóxico (alimento estocado) se traduz em poder político (tiranos, Estados), legitimado por narrativas religiosas (Deus como fiador da ordem), reproduzido em escala doméstica (patriarca) e, por fim, internalizado como superego.

A espécie não paga apenas com o corpo; paga também com a estrutura psíquica. Um dos “preços da droga” é a própria civilização com seu mal-estar: renúncias, culpas, medos e obediências que passam a ser o pedágio subjetivo para ter acesso à segurança e à proteção oferecidas pela nova forma de vida.

Em termos crús, o Sapiens aceita ser viciado em calorias e, em troca, entrega-se ao poder do traficante — e é dessa entrega que nascem a hierarquia e o superego tirânico que descrevo na Psicanálise do Superego.


quarta-feira, 17 de junho de 2026

A LIBERDADE NA DEMOCRACIA - por KARL POPPER

 


“O preço da liberdade é a eterna vigilância”

A liberdade só sobrevive entre limites: sem controle, ela desaparece — com excesso, também.  
Seu preço inevitável não é a garantia, mas a vigilância constante.

“A máxima liberdade possível mora num ponto ótimo, não num absoluto, pois precisa ser restringida para poder existir. 

A intervenção governamental, que por si só pode garanti-la, é uma arma perigosa: sem ela, ou com muito pouca, a liberdade morre; mas com excesso dela, a liberdade também morre. 

Somos reconduzidos à inevitabilidade do controle — que deve significar, como condição sine qua non da democracia, a possibilidade de os governados derrubarem o governo.

Isso, contudo, embora necessário, não é suficiente. Não garante a preservação da liberdade, pois nada pode garanti-la: o preço da liberdade é a vigilância eterna.”




terça-feira, 16 de junho de 2026

“PACIENTE?” NÃO, PACIENTE É DE CIRURGIÃO. EU TENHO “CLIENTES”

 


Eu nunca chamo quem me procura de “paciente”; eu chamo de cliente.

“Paciente” é um ser passivo à intervenção de um agente. Como nas cirurgias: um deitado e o outro em pé.

E o cliente é alguém que se senta comigo, e comigo se inclina para ver o problema. É um parceiro de trabalho.

Exatamente o que eu desejaria fazer junto com Freud: parceria de pesquisa.


COM UM TIRANO NA CABEÇA | O SUPEREGO: UM SOFTWARE AUTO-REPLICADOR EM FORMA DE VÍCIO DE DOMÍNIO-SUBMISSÃO

 


O superego é um software cultural de **domínio e submissão**, instalado há cerca de 10.000 anos, que funciona como um vício auto‑replicador: ele não vive para nós, vive em nós e através de nós, buscando apenas se manter.  

1. Esse software se organiza em dois polos complementares: o da submissão (culpa, medo, vergonha, necessidade de aprovação) e o do domínio (prazer em mandar, julgar, punir, “botar ordem”).  

2. Como qualquer vício, ele se auto‑sustenta num circuito de dor–alívio–prazer:  
   - dói quando oprime (culpa, autoacusação, humilhação);  
   - alivia quando obedecemos (“fiz o certo, escapei da punição”);  
   - dá prazer quando podemos ocupar a posição de superego em relação a alguém (“agora mando eu”). 
 
3. O jogo obediência–transgressão é o meio vicioso da auto‑replicação:  
   - a obediência reforça o polo submissão, mantendo o sujeito preso ao medo e à busca de alívio;  
   - a transgressão vingativa (“foda‑se, vou fazer”) muitas vezes põe o sujeito na posição do tirano interno, replicando o mesmo padrão de domínio sobre si ou sobre outros.  

4. É por isso que o superego é ao mesmo tempo “mãe de todos os vícios” e um vício em si: suas leis idiotas e abusivas produzem necessidade de transgressão; e a transgressão, quando encarnada como tomada de poder, alimenta de novo o vício de domínio/submissão, garantindo que o software siga se copiando de geração em geração.

Como qualquer tirano, ele é odiado… e sedutor. 


sexta-feira, 12 de junho de 2026

SOBRE O ID E SEU CONTEÚDO - O QUE MORA EM NOSSO INCONSCIENTE

 



## 1. Resumo do “algo em mim” (Id) - o Inconsciente 
Aquilo que Freud chamou de * das Es* – o famoso Id – pode ser traduzido, em bom português, como esse “algo em mim”, “algo em nós”, que não é o eu, não é uma pessoa, mas um motor interno que empurra, puxa, sabota, protege e complica a nossa vida.

Nesse “algo em mim” há quatro grandes conjuntos:
1. **Desejos** - todos os desejos são movidos por incômodos que buscam alívios.
   - O desejo de prazer, escrito no DNA para garantir sobrevivência e reprodução (cujos motores são o tesão, o apetite).  
   - Os desejos “acessórios” do prazer:  
     - desejo de justiça (cujo motor é a raiva de não aguentar ver injustiça e desigualdade escancarada),  
     - desejo epistemológico (cujo motor é a curiosidade, vontade de conhecer e entender como as coisas funcionam),  
     - desejo de controle e ordenação (cujo motor é a insegurança que o caos produz, precisar pôr ordem no mundo interno e externo).  
   - Tudo isso mora no Id, no “algo em mim”: eu não escolho ter esses desejos, eles já vêm no pacote.

2. **Medos**
   - Esse mesmo Id, esse “algo em mim” carrega medos que vêm com a máquina, cuja função é a sobrevivência:  
     - medo de desamparo (ficar sem proteção, sem quem cuide),  
     - medo de estranhos (desconfiar do que não é familiar),  
     - medo de altura, confinamento, escuridão, bichos perigosos, e outros medos que fizeram sentido na evolução e hoje, muitas vezes, viram fobia ou ansiedade “deslocada”.  
   - Os dois medos principais são os de desamparo e de estranhos. São eles que possibilitam o adestramento da pessoa para a instalação do Superego.

3. **Superego adestrado (parte inconsciente)**
   - O Superego não “vem com a máquina”; ele se forma pelo adestramento na infância, baseado na concentração de poder que os pais têm sobre os filhos, que farão qualquer coisa para não perderem o amparo deles.
   - Depois de formado, uma parte desse Superego desce para o porão e vira motor inconsciente que nos aplica choques a cada vez que “saímos da linha”:  
     - choques de angústia,  
     - choques de vergonha,  
     - choques de ridículo,  
     - choques de culpa.  
   - O sujeito só sente o choque; o comando que disparou aquilo (que pode ser resumido como “você está contrariando o senso comum da sua tribo! Vai perder o amparo!”) fica escondido no “algo em mim”.

4. **Reprimido (produto da briga desejo/superego)
   - Coisas que um dia chegaram perto da consciência, foram consideradas inaceitáveis e empurradas para baixo: fantasias, raivas, invejas, desejos considerados “proibidos” pelo superego e pela tribo.  
   - Esse material reprimido continua ativo, criando “manifestações conscientes do inconsciente reprimido”: sintomas, neuroses, vícios, sonhos, lapsos, formações reativas (como o “bonzinho demais”), sempre vindo de um “algo em mim” que o Eu não controla.
Em resumo, o Id é esse “algo em mim” que:
- quer prazer, justiça, conhecimento, controle;  
- tem medos ancestrais (desamparo, estranho, altura, etc.);  
- carrega choques de superego que viraram automáticos;  
- e guarda o reprimido da briga entre desejo e proibição. 


quinta-feira, 11 de junho de 2026

GUERRA DOS SEXOS: A HISTÓRIA DA MISOGINIA, O ÓDIO CONTRA AS MULHERES

 




Um dos tristes efeitos colaterais da transição da era paleolítica (tempo dos caçadores-coletores, que terminou há 10.000 anos) para a era neolítica / revolução agrícola (surgimento da agricultura e da pecuária, das cidades e da convivência com estranhos), além da instalação do Superego em nós, foi o problema da guerra dos sexos, um tempo de desconfiança mútua entre homens e mulheres.

Um tempo de sofrimento ligado às negociações sexuais, sofrimento para ambas as partes, mas bem pior para as mulheres.

1. Como viviam as mulheres no tempo dos caçadores-coletores

Elas viviam muito bem, num clima de cooperação com a tribo: em termos mais simples (deixando de lado as exceções), elas coletavam frutos, vegetais, raizes, cogumelos, trocavam informações, partilhavam o cuidado com os filhos, revezavam-se na amamentação.

Não havia hierarquia, nem casamento, nem namoro, nem pudores sexuais. Não havia nem a ideia clara de que sexo e procriação estivessem ligados. Assim como o trabalho, o cuidado com as crianças, as tarefas, o sexo era uma brincadeira a mais, com ou sem ligação afetiva, com vários parceiros. Em algumas tribos, havia a crença de que as crianças eram geradas pelo acúmulo de várias inseminações, vindas de vários homens.


2. Ruptura com a Revolução Agrícola

Quando a fonte de alimentação passou a ser o cultivo e o pastoreio, a vida mudou radicalmente. As tribos nômades de 50-70 pessoas conhecidas foram se transformando em cidades fixas de mais de 500 estranhos. Surgiu a acumulação, a propriedade privada… e a herança. O que levou os homens a exigirem “filhos legítimos”, para que bastardos não pusessem as mãos em suas propriedades.

A partir daí, o corpo da mulher e sua sexualidade tornam‑se foco central de controle e vigilância: garantir a fidelidade sexual passa a ser condição para assegurar que a herança vá “para os meus filhos”, e não para filhos de outros homens.

Não só isso, mas também passou a haver “minhas mulheres”, casamento primitivo. A mulher deixou de ser parceira cooperativa e virou uma propriedade a mais. A mulher passou a ter um homem só, mesmo que o homem pudesse ter várias mulheres.

3. A mulher sob o patriarcado agrícola: sofrimento e desqualificação

A mulher, peça crucial na honra do homem, passa a ser vigiada, punida (se caísse sob suspeita de traição sexual). Ela vira um “perigo”, um ser sob suspeita permanente. Esse é o início da misoginia – a raiva contra as mulheres.

O pior disso é que a principal suspeita recai sobre as suas manifestações de desejo sexual. O desejo sexual feminino passa a ser visto como “impureza”. A mulher passa a ser valorizada pela suposta “falta de desejo” (daí vem a mitificação das virgens em várias religiões).

4. A “falta de desejo” vira poder

Como triste efeito colateral, as mulheres sentiram que seus poderes e sua valorização viriam desse aparente desapego ao sexo e ao desejo. Se ela parecia “pura”, tornava-se mais desejada no mercado matrimonial. Teria acesso a ela homem que pagasse mais. Foi assim que um regime de sutil “prostituição” foi instituído: quanto mais sem desejo visível, mais cara; quanto menos, mais barata.

5. A mulher como “leiloeira de si mesma” e juíza do valor do homem

Como mais uma triste contribuição à misoginia, a mulher passou a ser vista como alguém que também julgava o valor dos homens – uma reação natural de vingança ao dano que lhe causaram, à injustiça que lhe impuseram.

A Guerra dos Sexos estava instituída: de convivência cooperativa, o sapiens passou a uma convivência competitiva, cheia de suspeita: dormindo com o inimigo… desejado! Uma ambivalência de sentimentos que não existia entre nossos antepassados caçadores-coletores.

De um lado, o homem transforma o desejo sexual feminino em fonte de desvalorização. Do outro, a mulher passa a ter o poder de “leiloar” o acesso a seu corpo de acordo com o valor que ela atribui ao homem.
Se ela acha que seu homem não tem valor, ela pode ir se entregar a outro que ela valorize mais.
Se ela pode ser vista como uma puta, sua vingança é que ela pode categorizar o homem como um merda.
No senso comum pós agrícola, desde então as mulheres temem ser vistas como putas (desvalor feminino) e os homens temem ser vistos como merdas (desvalor masculino).

O feminicídio, o ápice da misoginia, é a caricatura dessa guerra: sistematicamente, ele é movido pelo ódio contra a mulher, à misoginia vinda da ideia de que a mulher pode trocá-lo (ou que já o trocou) por um outro homem que ela valorize mais. Ao ódio de ser “chamado de merda” pela mulher. Ao ponto que a gravidade do crime de feminicídio já foi atenuada nas leis antigas, porque ele era uma “legítima defesa da honra”.

Leis feitas pelos homens, claro. 


terça-feira, 9 de junho de 2026

AULA PARA MEUS ALUNOS DA PSICANÁLISE DO SUPEREGO

 


Fiz um guia prático para que a pessoa conheça seus desejos e vá desmontando seu Superego.

Os alunos vão usar o roteiro tanto na clínica quando para eles mesmos.

ROTEIRO RESUMIDO PARA USO NA CLÍNICA:

1. DESADESTRAR O SUPEREGO
2. CONHECER SEUS DESEJOS

1. Desadestrando o Superego:

### Parte 1 – Quando bater culpa, vergonha, ridículo ou medo de julgamento

Sempre que você sentir um desses choques emocionais:

- culpa (“fiz algo imperdoável”)
- vergonha (“sou ridículo, não valho nada”)
- medo do ridículo (“vão rir de mim, vão me achar um lixo”)
- medo moral (“sou uma pessoa má por ter pensado/sentido isso”)

faça este pequeno exercício mental:

1. Pergunte: “Que lei estou supostamente transgredindo?”
- Coloque em frase simples:
“Homem não pode chorar.”
“Ser gay é errado.”
“Desejar outra pessoa é traição imperdoável sempre.”
“Filho decente nunca critica pai e mãe.”

2. Pergunte: “Do senso comum de que tribo vem essa lei?”
- É lei de qual ambiente?
- Da minha família?
- Da minha igreja?
- Do bairro onde cresci?
- De um senso comum de outra época (século XIX, moral vitoriana, patriarcado, etc.)?
- Diga para si mesmo:
“Essa lei é da tribo X, em tal época. Não é lei do universo, é lei dessa tribo.”

3. Pergunte: “Essa lei faz sentido para mim hoje?”
- Com o que eu sei hoje de vida, de gente, de ciência, de ética:
- Essa lei protege alguém?
- Ou só me machuca e me envergonha à toa?
- Se a resposta for “não faz sentido” ou “só me tortura”, você não é obrigado a obedecê‑la.
- Não é preciso “matar” a lei; basta dizer internamente:
“Eu sei de onde você vem. Você não manda mais em mim do mesmo jeito.”

Repita isso sempre. A repetição é o “comportamental”: você treina o reflexo de investigar o Superego, em vez de ajoelhar diante dele.

***

### 2. Conhecendo seus desejos

Aprendendo o perfil singular do seu desejo, quando ele se aplica aos encontros pessoais

Agora, o outro lado: aprender como é o seu desejo, do seu jeito, com a sua história. Pense em três tipos de encontro:

- Encontro afetivo
- Encontro intelectual
- Encontro erótico

Faça perguntas simples em cada área.

#### 2.1. Desejo afetivo

Pergunte a si mesmo:

- Com quem eu gosto de estar? Como gosto de cuidar e ser cuidado?
- Que tipo de “clima afetivo” me faz sentir vivo: brincalhão, terno, sério, de parceria, de proteção, de “paizinho”, de “mãezona”…?
- Que experiências da minha vida ajudaram a formar esse jeito de desejar?
- Faltas que doeram?
- Pessoas que me encantaram, reais ou de livros/filmes?

Escreva, se puder, em poucas frases:
“Meu desejo afetivo tem cara de…” (e descreva: pai, amigo, amante, parceiro, protetor, aluno, etc.).

#### 2.2. Desejo intelectual

Pergunte:

- Em que tipo de conversa eu me sinto em casa?
- Explicando?
- Discutindo?
- Contando histórias?
- Ouvindo?
- Que tipo de mente me atrai?
- Gente curiosa?
- Gente clara?
- Gente irônica?
- Que livros, filmes, figuras (professores, personagens) despertaram em mim o desejo de pensar “como eles” – ou “ser para alguém” o que eles foram para mim?

Escreva:
“Meu desejo intelectual tem cara de…” (mentor, aluno, par que pensa junto, debatedor, professor, etc.).

#### 2.3. Desejo erótico

Com cuidado e honestidade consigo mesmo, pergunte:

- Que tipo de corpo, gesto, voz, atitude me desperta?
- Em que clima eu me sinto erótico: ternura, jogo, humor, admiração, poder, entrega?
- Que cenas (da vida real, de filmes, de fantasias) marcaram o meu erotismo?
- O que é que eu busco, no fundo, quando desejo alguém: ser visto, ser acolhido, ser protegido, ser desejado, ser admirado, ser cuidado? Ou o contrário: ver, acolher, proteger, desejar, admirar e cuidar?
- Meu desejo é mais receptivo (passivo) ou mais fazedor (ativo)?
- No caso de misturas de características, qual o percentual de cada uma?

Escreva:
“Meu desejo erótico tem cara de…” (e descreva sem censura; é para você, não para mostrar para ninguém).

***

### Como usar as duas práticas juntas

- Sempre que o Superego te atacar (culpa, vergonha, ridículo), faça o exercício das leis e tribos (Parte 1).
- Regularmente (uma vez por semana, por exemplo), retome as perguntas sobre seu desejo afetivo, intelectual e erótico (Parte 2) e vá refinando as respostas.

A ideia é:

- Afrouxar cordéis que puxam você para uma vida obediente a leis idiotas.
- Fortalecer os cordéis do desejo que fazem sentido para você, com a sua história, com o seu jeito.

Com o tempo, a “resultante” – a direção geral da sua vida – vai ficando menos alinhada com a vontade da tribo e mais afinada com aquilo que realmente te faz sentido.