terça-feira, 7 de abril de 2026

SUTILEZAS DO SADOMASOQUISMO

 



O sadomasoquismo não sexual é também um derivado do mau gerenciamento da raiva. Mas ele está vulnerável a variações sutis em suas apresentações. 

Uma pergunta frequente é “por que sadomasoquismo é falado com sadismo e masoquismo juntos?” Porque no sadismo explícito existe masoquismo oculto, e no masoquismo explícito existe sadismo oculto. Vamos os exemplos.

Sadismo oculto no masoquismo:
1. Transformando o sofrimento em recurso, em ativo de manipulação pela culpa: 
Capitalização da vítima e do sofrimento

1a. Tanto em indivíduos quanto em grupos, a posição de vítima é passível de ser transformada em capital moral e político: a **nobreza do martírio**.

- A vítima não apenas sofre; ela ganha superioridade moral, direito de acusar, direito a reparações, direito de falar primeiro.

- Isso faz com que se viva da própria vitimização: o grupo ou a pessoa passa a precisar do algoz e do sofrimento para sustentar sua identidade e seu poder simbólico.

Exemplo: o mendigo pode querer não se curar de suas feridas, pois elas são sua fonte de renda.

Minorias perseguidas não quererem que a perseguição termine, pois ela virou um ativo, um recurso de sua superioridade moral.






Experimente: drdaudtai.com




“NÃO É ATO FALHO!”

 



O ato falho (o erro ou o esquecimento) ocorre por ambivalência pouco aceita: você foi convidado a um evento chato, mas por alguém que você gosta. Uma valência quer ir (pela pessoa). A outra não quer (pelo evento). A que não quer ir não é bem aceita, é meio varrida para debaixo do tapete… e você não vai porque esqueceu a data.

Mas… o ato falho precisa ser distinguido de duas situações capazes de provocar erros e esquecimentos sem ligação com ambivalência: o TDAH (transtorno de atenção e hiperatividade) e a distração da multitarefa que acomete os idosos. 

A distração do TDAH já é bem conhecida, mas a dos idosos não. Um idoso pode cometer erros e esquecimentos, não por demência ou ambivalência, mas em situações em que tem que fazer várias coisas ao mesmo tempo, e uma ou mais delas acaba saindo errada ou esquecida, pois o “processador” já não é como outrora, tornou-se mais lento e menos ágil.








Experimente: drdaudtai.com



quinta-feira, 26 de março de 2026

CUTTING

 


Cutting é o nome genérico para machucados feitos pela própria pessoa. Ele tem várias características:
1. Ele é mais frequente entre meninas, depois em mulheres, depois rapazes, por último homens. Entre os do sexo masculino, os cortes são menos comuns do que os socos, tapas e arranhões.

2. Ele tem motivações multifatoriais, a principal delas é a pessoa se tornar controladora autoral de seus sofrimentos psíquicos, deslocando a dor emocional para a dor física autocontrolada. 

Outro fator é a visibilidade do sofrimento, um pedido de socorro.  Fator de menor intensidade é a “moda”, a imitação por identidade, a visibilidade social exposta na mídia e nas redes sociais que o cutting adquiriu de alguns anos para cá. 

3. O principal sofrimento psíquico motivador é a depressão. Fruto de stress prolongado de angústia, ou de culpa, ou de raiva impotente (ou da combinação dos três), a depressão implica um desinvestimento num mundo que parece sem graça, um recolhimento isolado, uma avalanche de pensamentos catastróficos e uma irritabilidade que costumam ter como “remédio” de alívio mais comum os vícios (álcool, principalmente). 

Mas o vício do sadomasoquismo com os causadores do stress também é comum, e aí o cutting pode entrar como fator duplo: o masoquismo do sofrimento autoinfligido e o sadismo da “vingança vitimista de denúncia dos opressores”.

É importante que esses motivadores sejam vistos como sintomas compulsivos, mais fortes do que a pessoa, e não culpabilizados como má intenção, o que só agravaria o círculo vicioso. Ou seja, há o claro e justo pedido de ajuda.







Experimente: drdaudtai.com






segunda-feira, 23 de março de 2026

ORIGENS DO FEMINICÍDIO, DA MISOGINIA E DA HOMOFOBIA



A Guerra dos Sexos começa quando a sociedade deixa de ser tribal-cooperativa e passa a ser agrária-hierárquica; nesse processo, o sexo vira moeda, a mulher vira suspeita, e o desejo vira vigilância.

Daí nasce a misoginia como forma histórica de controle da filiação, da herança e da escolha sexual. A mulher não é pensada como naturalmente traidora; ela é culturalmente construída como potencial traidora, porque o sistema precisa controlar a incerteza que ela representa para a ordem da propriedade e do amparo.

E a extensão disso à tribo LGBT é direta: o mesmo mecanismo que pune a feminilidade na mulher pune a feminilidade no homem gay, e pune ainda mais violentamente quem rompe a fronteira do gênero, como travestis e mulheres trans. 

Em outras palavras, a hostilidade contra LGBT não é um fenômeno separado da misoginia; muitas vezes ela é a mesma lógica, deslocada para outros corpos. O alvo é o desvio da norma masculina dominante, sobretudo quando esse desvio é lido como feminino, passivo ou indisciplinado.

O Superego entra aí como a história da tribo internalizada: primeiro como medo de desamparo, depois como culpa, vergonha e ridículo. 

A criança aprende a obedecer o senso comum da microtribo familiar, e a escola amplia isso em forma de homogeneização, bullying e hierarquia entre pares. Quem sofreu a humilhação aprende, muitas vezes, a repassá-la; quem foi submetido, aprende a desejar o lugar do submetedor.

Então, a fórmula geral seria esta:

A Revolução Agrícola concentrou poder, herança e vigilância; disso nasceu a microtribo familiar, dela nasceu o Superego, e dela se alimentam a misoginia, a homofobia e a transfobia como técnicas históricas de controle do desvio.








Experimente: drdaudtai.com





 

sexta-feira, 20 de março de 2026

ENCONTRO ERÓTICO (perfis de desejo)

 




O desejo de encontro erótico é

. o principal resultado do “comando do DNA”, aquele que leva à sua replicação;
. é o mais forte fruto do nosso desejo maior (desejo de prazer);

Por esses motivos, resulta que o desejo de encontro erótico é o mais trabalhoso de se conhecer, pois no caso da nossa espécie, a complexidade de seus indivíduos forma um número considerável de perfis únicos. Ou seja, a espécie tem seu comportamento erótico com dois comandos: o do DNA e o do indivíduo.

Como o propósito da Psicanálise do Superego é aumentar o comando do indivíduo, é tirá-lo ao máximo da posição de marionete, seja da cultura/Superego, seja do DNA, o começo de conversa será o conhecimento desse desejo, começando pela orientação sexual.

ORIENTAÇÃO SEXUAL

Vamos combinar as duas escalas de orientação, partindo da Kinsey, que é a mais simples.
O usuário pesquisa nela o seu tipo, e então segue para a escala Klein para entender as sutilezas da manifestação de sua orientação sexual.

1. Base Kinsey (0 a 6)
• Tipo zero: heterossexual sem nenhum desejo homoerótico
• Tipo 1: hétero com eventual desejo/prática homoerótica
• Tipo 2: hétero com frequente desejo/ prática homoerótica
• Tipo 3: chamado de “bissexual”, pela frequência equivalente de desejo / prática homo/hétero
• Tipo 4: homossexual com frequente desejo / prática hétero
• Tipo 5: homo com eventual desejo / prática hétero
• Tipo 6: homo sem nenhum desejo hétero

Cada tipo funciona como um eixo principal — o ponto de partida para entrar na escala Klein.

2. Camadas Klein

Para cada tipo Kinsey, você pode aplicar:

• Atração sexual
• Comportamento sexual
• Fantasias sexuais
• Preferência emocional
• Preferência social
• Estilo de vida
• Autoidentificação

Pense nisso em três tempos (passado, presente, ideal), revelando o dinamismo interno de cada tipo.

3. Capacidade Circunstancial (aplicável aos tipos 0 e 6)

Essa dimensão reconhece que, mesmo em perfis de desejo exclusivo (hetero ou homo), pode haver expressão erótica oposta eventual, ativada por circunstâncias que sejam de vínculo afetivo, contexto social ou emocional profundo.

A partir de situações e consequências como:

• Tipo de vínculo (afetivo parental, institucional, emocional intenso)
• Contexto (prisão, internato, relação terapêutica, acolhimento)
• Expressão (afetiva, erótica, transitória, não repetível)
• Impacto (transformador, pontual, obsoleto, persistente)

Essa expressão circunstancial foi:

• Iniciada por acolhimento
• Sustentada por fusão emocional
• Encerrada sem conflito interno
• Reintegrada como parte da narrativa pessoal

Perfis do Desejo de Encontro Erótico
(Examine quais seriam suas preferências)

Eixo Perfis / Tipologias
Postura - Ativa (controle)- Passiva (entrega)- Alternada (com predominância ativa/passiva)

Orientação - Heteroerótico- Homoerótico- Bissexual- Nuances Klein/Kinsey (fluidez, contexto)

Modalidade de Excitação - Sensorial- Imaginativa/por fantasias - Verbal- Performática

Dinâmica Psicológica - Narcísica (autoafirmação)- Objetal (foco no outro, com desejo de interação afetiva)- Transgressiva- Ritualística

Estilo de Vinculação - voltada para o encontro e a pessoalidade - Distanciada (autonomia)- Ambivalente (oscilação)

Expressão Corporal/Estética - Exibicionista- Voyeurista- misturada - Estético/Erótico

Ritmo e Intensidade - Explosivo (urgente)- Contemplativo (voltado para o carinho, sem necessidade de finalização)- Intermitente (picos e pausas)


ENCONTROS AFETIVOS

 


Para entender o perfil de seu desejo afetivo, vamos examinar alguns tipos. Lembrando: não haverá divisões estanques entre os tipos de desejos afetivos; poderá haver misturas percentuais, portanto eles podem ser pontuados de zero a dez.

Perfis de Desejo de Encontro Afetivo

1. Do desejo Romântico ao “amor companheiro”.
• O amor companheiro pode ser visto como quando o encontro afetivo buscado é de muita intensidade, sem que precise ser enquadrado em categorias sociais fechadas, como namoro ou casamento. Ele tem intensidade, mas não tem idealização. Ele tem vontade de real conhecimento do outro, ele tem consideração pelo outro, e respeito pelas zonas de desencontro. “Meu/minha melhor amigo/a” é um típico exemplo desse desejo.
• Voltado para a construção de vínculos amorosos com intensidade emocional e idealização.
• O desejo romântico pode incluir elementos de exclusividade, paixão e projeto de vida em comum.
• Nem sempre envolve desejo sexual, mas sim o anseio por intimidade emocional profunda.

2. Desejo Erótico
• Tem no prazer corporal sua primeira motivação, o que pode levar a outros tipos de interação afetiva.
• Pode estar misturado e mesmo ser despertado por outras zonas de encontro.
• Pode existir sem vínculo emocional, mas também pode se entrelaçar com o desejo romântico.
• Às vezes é confundido com amor, mas tem motivações distintas. Mas pode ser uma via para o amor: o desejo erótico é capaz de dar tolerância e aceitação para diferenças e desencontros.

3. Desejo Amistoso
• Busca por companheirismo, empatia e apoio mútuo.
• Não envolve hierarquia nem erotismo, mas sim afinidade e confiança.
• Pode ser tão profundo quanto o amor romântico, mas com outra linguagem afetiva.
• Pode ser tão ou mais profundo que o amor romântico, mas sem os riscos de idealização que o amor romântico contém.

4. Desejo de Cuidado ou de Ser Cuidado
• Pode se manifestar como desejo de proteger ou de ser protegido.
• Reproduz, de algum jeito, a relação paterno/materno filial.
• Envolve acolhimento, segurança e entrega.
• Aparece em vínculos terapêuticos, espirituais ou em relações assimétricas (como mentor/aprendiz, paterno/materno / filial).

5. Desejo Espiritual ou Transpessoal
• Busca por conexão que transcende o eu e o outro.
• Reproduz conexões familiares idealizadas (“queridos irmãos”, p.ex.)
• Pode se expressar em vínculos com crenças no divino, com a natureza ou com comunidades espirituais.
• O afeto aqui é canalizado para algo maior, muitas vezes com sensação de fusão ou transcendência.

6. Desejo Narcísico
• Voltado para o outro como espelho de si mesmo.
• A adoração do outro funciona como alívio da baixa autoestima que o Superego do narcisismo produz em quem sofre dele. Equivale ao “desejo de plateia”.
• O afeto é buscado como validação ou admiração.
• Pode parecer amor, mas está mais ligado à autoimagem e à necessidade de reconhecimento.

7. Desejo de Pertencimento
• Surge da necessidade de fazer parte de um grupo, família ou comunidade.
• O afeto é distribuído coletivamente, com foco na aceitação e inclusão.
• Muito presente em contextos sociais, culturais, religiosos e políticos.






Experimente: drdaudtai.com



quarta-feira, 18 de março de 2026

NEGOCIAÇÃO SEXUAL – PERFIS MASCULINOS



Como a revolução agrícola instalou nas mulheres um Superego que exige delas uma “pureza sexual” que só cederá para uma “oferta honesta de compra”, tipo casamento etc., a maior parte dos perfis masculinos de negociação sexual tem a ver com o tipo de moeda que eles vão usar.

Mas curiosamente esses perfis servem tanto ao desejo hétero quanto ao desejo homoerótico.

Tipos principais:
1. Papai / filhinho / cafajestes (moedas centrais)
• Papai: professor, provedor, salvador – a moeda é amparo (saber, dinheiro, proteção, “eu cuido de você”). 
Este é o tipo mais comum, pois parte do pressuposto amparador que está seguro de que sua posição é “naturalmente necessária”.
• Filhinho: adolescente eterno, devoto – a moeda é dependência (carência, pedido de colo, adoração, “me cuida, me escolhe”). 
Esses são mais raros, mas encontram parceiras maternais, ou mais frequentemente parceiros do perfil papai, cuja caricatura prostituída é o “sugar daddy”.
• Cafajeste do mal: moeda é engano (promessa fraudulenta de status, casamento, exclusividade, com descarte pós sexo).
Não há exemplo melhor do que o Don Juan, ou seu símile italiano, o “Don Giovanni”, da ópera de Mozart.
• Cafajeste do bem: moeda é desejo explícito e simétrico (eu quero, vejo que você quer, proponho encontro sem embalagem).
Este tipo é fascinante por recriar a abordagem sexual dos caçadores-coletores ancestrais, que viam a mulher com o mesmo direito ao desejo sexual que eles.

2. O esteta
O esteta pode ser definido assim:
• Moeda de troca central: visibilidade e capital erótico-estético.
• Ele oferece ao parceiro: ser visto, exibido, valorizado como “corpo bonito”, “mulher/homem incrível”, “peça rara”.
• Em troca, ele obtém: acesso a corpos/estilos que reforçam o próprio narcisismo (“olhem com quem eu fico”), cenas “instagramáveis”, performances sexuais que ele curadoria.
• Ele pode aparecer tanto em modo papai (“eu te transformo, eu te produzo, te dou um estilo”) quanto em modo cafajeste (“você é mais um troféu na minha coleção”).
Ele existe como subvariante narcísica do papai (o que embeleza/cura o objeto) ou como subvariante do cafajeste (o colecionador de corpos).

3. O camarada
• Quando o camarada opera como “ficante honesto”, com amizade, afeto e sexo sem promessa enganosa, ele se aproxima do cafajeste do bem: reconhece direitos iguais ao desejo sexual.
• Quando há construção de vida compartilhada, apoio mútuo, projeto comum, ele encarna o “amor companheiro”: troca igualitária e cooperativa também na cama (sexo como extensão da parceria, não como moeda de compra).

Sinceramente, esse último é o que mais admiro.








Experimente: drdaudtai.com