sexta-feira, 24 de abril de 2026

O QUE MORA EM NOSSO INCONSCIENTE?

 


Freud fez a grande descoberta: nós éramos manipulados por forças inconscientes que se combatiam, nossos desejos malvistos pelas leis morais da cultura e o nosso Superego, onde moravam essas leis, implantadas em nós desde a infância.

Nós tínhamos “algo em nós”: o Inconsciente. O Id.

Então nosso Eu (Ego) acabava sendo alugado por essa briga: o Superego de um lado e o Id do outro.

Mas o inconsciente contém muito mais do que isso: lá mora a programação feita pelo DNA para atender seu propósito, sua replicação. É essa programação que nos move.

Ela contém desejos (motores da replicação) e medos (conservadores da máquina até que ela cumpra sua função).

O desejo principal é o de prazer. O medo principal é o de desamparo (desproteção).

O desejo de prazer tem desejos auxiliares: o desejo de justiça, o desejo de conhecer / entender, o desejo de controle / ordenação.

Como o desejo de prazer precisa de paz e entrega para poder funcionar em seu maior propósito (sexo), os desejos auxiliares operam para produzir essa paz.

Os medos programados também buscam assegurar essa paz que permite o desfrute do prazer: medos de confinamento, altura, escuro, grandes felinos, répteis, grandes insetos voadores são hoje quase que esquecidos.

Mas o medo de desamparo (desproteção) e o medo de estranhos seguem funcionado a pleno vapor: se você se sente desamparado e desprotegido, se o ambiente em torno te é estranho, não te é familiar, o prazer não acontece.

Resulta que, muito bem escondido em nosso inconsciente, em nosso Id, mora o grande programador, nos manipulando para seu propósito: o DNA.






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RELAÇÃO CUSTO-BENEFICIO

 


O avaliador de prazer-desprazer que vem com o DNA 

Não há ação humana que não passe por uma avaliação de custo-benefício, mesmo que ela não fique clara para nós. Todas serão fruto da percepção de que o custo é menor do que o benefício. O que é estranho, pois há ações visivelmente custosas, custosas ao extremo até. Pois mesmo nessas o benefício vence, mesmo que incompreensível à primeira vista.

É incompreensível porque não nos é fácil ver custos menores como sendo benefício, mas eles o são. 
Como exemplo mínimo, quando perguntada por que ficava com um marido tão ruim, ela respondeu: “Ah, ruim com ele, pior sem ele”. 

Como exemplo máximo, o suicídio: a morte como alívio do custo de sofrimento terrível e inescapável.
Esse programa é derivado de um avaliador de prazer-desprazer que o DNA embutiu em nós para fazer sua replicação, sem morrer antes.

Por isso, perseguimos o prazer e evitamos o desprazer, e isso nos move pela vida.

Agora, a programação está no Id, no inconsciente, só percebemos seus efeitos. Espinoza disse que a liberdade consiste em conhecer os cordéis que nos manipulam. A avaliação automática custo-benefício é o principal cordel que nos manipula. 

Quanto mais estivermos conscientes dela, mais liberdade nosso Eu, nosso Ego, terá de escolha. Sobretudo se soubermos avaliar realisticamente os custos e os benefícios. Exemplo: o menino ficou sabendo que masturbação era um pecado mortal que o mandaria para o inferno pela eternidade. Depois de uma avaliação realística das premissas envolvidas, ele deixou para trás… a religião.







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terça-feira, 14 de abril de 2026

SENSO DE HUMOR x SUPEREGO

 




A mãe viu o filho chorando porque o irmão tinha lhe feito alguma coisa. Ela interpelou o irmão, que lhe respondeu: "Poxa, mãe, eu só estava brincando." 

Ela respondeu ao filho: "Não, meu filho, brincadeira é quando os dois riem juntos. Se um ri e o outro chora, não é brincadeira, é maldade.”

1. Humor do Ego / Humor do bem: rir juntos

   Vai da simplicidade do trocadilho ao humor mais elaborado em que o Eu brinca com a realidade, desdramatiza a falha e convida o outro a rir junto. É humor que alivia a tirania do superego, preserva a dignidade de todos e fortalece o laço. O melhor retrato disso é a autogozação (self mockery), o clímax da leveza, de não se levar a sério.

2. Humor do Superego / Humor do mal: rir de alguém 

   É o humor que se alia ao superego para corrigir, punir e humilhar, usando ironia, sarcasmo, ridículo e deboche como instrumentos de disciplina moral. É uma espécie de bullying. Ele não alivia a culpa, reforça-a; não aproxima, hierarquiza — é o rir de alguém em nome do “bom costume”. O Superego o usa para adestrar e homogeneizar as pessoas ao senso comum.

3. Humor da branda implicância (zona intermediária, mais próxima do humor do bem)

   É o mais comum entre grupo de homens amigos. Usa a gramática dura do superego (falsos xingamentos, falso ódio, implicância) para, na verdade, ridicularizar o próprio superego e burlar o senso comum. É uma forma de dizer “eu te amo” entre homens por meio de um código invertido, em que se ri com o outro e do superego que proíbe que esse amor seja declarado de frente.

Exemplo: dois casais de conhecidos se encontram por acaso na rua, o homem de cá diz para o de lá: “E aí, viado, tá dando muito esse cu?” E o outro: “Ah, nem tanto quanto a sua mãe!” Quando se afastam, o primeiro diz pra mulher: “Pô, esse cara é demais, eu amo esse cara”.







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segunda-feira, 13 de abril de 2026

OS DEZ MANDAMENTOS EM SUA FORMA ORIGINAL - UM EXEMPLO DE COMO O SUPEREGO É FORMATADO

 


Nós aprendemos no colégio a forma resumida. Fui pesquisar algo próximo da forma original, pois ela é muito mais explícita. Repare que:

1. Só existem três mandamentos que previnem crimes (matar, furtar e levantar falso testemunho).

2. Quatro mandamentos são voltados à submissão patriarcal (1°, 2º, 3º e 4º).

3. Dois mandamentos inventam o pecado de pensamento (“não desejar” e “não cobiçar”).

4. O de “não desejar” lista a mulher como um dos pertences do homem, e não está nem aí para o desejo da mulher.

5. O de “honrar pai e mãe” não menciona “honrar filho e filha”, que são tão pertences do patriarca quanto suas mulheres.

6. O sexto, da castidade, não era originalmente genérico, era específico contra o adultério, que seria o único pecado sexual. Masturbação estava fora; fantasias sexuais, também; sexo antes do casamento idem.

Vamos a eles, portanto:
1º. Como o aprendemos (a): “Amar a deus sobre todas as coisas”.
Forma original (b): “Que ames o Senhor teu Deus com o inteiro do teu coração, com tudo o que és na tua alma, com a plena força do teu entendimento e com todas as tuas energias, colocando esse amor acima de qualquer outro apego ou interesse.”

2º. a. “Não tomar seu santo nome em vão”.
b. “Que não uses o nome do Senhor teu Deus de modo leviano ou vazio, sem respeito ou com falsidade, como se o convocasses para justificar o que não é verdadeiro ou para reforçar palavras ocas.”

3º. a. “Guardar domingos e festas”.
b. “Que separe o dia consagrado ao Senhor, interrompendo teus trabalhos habituais para dedicar esse tempo ao repouso e ao culto, assim como o teu Deus descansou de sua obra.”

4º. a. “Honrar pai e mãe”.
b. “Que honres teu pai e tua mãe, tratando‑os com respeito, para que teus dias se alonguem na terra que o teu Deus te concede.”

5º. a. “Não matar”.
b. “Que não tires a vida de outro ser humano, não cometendo homicídio.”

6º. a. “Não pecar contra a castidade”.
b. “Que não cometas adultério, não traindo a aliança do casamento com relações sexuais fora dele.”

7º. a. “Não furtar”.
b. “Que não tomes para ti aquilo que pertence a outra pessoa, não cometendo roubo nem qualquer forma de furto.”

8º. a. “Não levantar falso testemunho”.
b. “Que não dês testemunho mentiroso contra o teu próximo, não acusando injustamente nem deturpando a verdade sobre ele.”

9º. a. “Não desejar a mulher do próximo”.
b. “Não cobiçarás a casa do teu próximo; não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que lhe pertença”.

10º. a. “Não cobiçar as coisas alheias”.
b. “Que não fiques desejando para ti o que pertence aos outros, não alimentando inveja ou cobiça pelos bens alheios.”






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terça-feira, 7 de abril de 2026

SUTILEZAS DO SADOMASOQUISMO

 



O sadomasoquismo não sexual é também um derivado do mau gerenciamento da raiva. Mas ele está vulnerável a variações sutis em suas apresentações. 

Uma pergunta frequente é “por que sadomasoquismo é falado com sadismo e masoquismo juntos?” Porque no sadismo explícito existe masoquismo oculto, e no masoquismo explícito existe sadismo oculto. Vamos os exemplos.

Sadismo oculto no masoquismo:
1. Transformando o sofrimento em recurso, em ativo de manipulação pela culpa: 
Capitalização da vítima e do sofrimento

1a. Tanto em indivíduos quanto em grupos, a posição de vítima é passível de ser transformada em capital moral e político: a **nobreza do martírio**.

- A vítima não apenas sofre; ela ganha superioridade moral, direito de acusar, direito a reparações, direito de falar primeiro.

- Isso faz com que se viva da própria vitimização: o grupo ou a pessoa passa a precisar do algoz e do sofrimento para sustentar sua identidade e seu poder simbólico.

Exemplo: o mendigo pode querer não se curar de suas feridas, pois elas são sua fonte de renda.

Minorias perseguidas não quererem que a perseguição termine, pois ela virou um ativo, um recurso de sua superioridade moral.






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“NÃO É ATO FALHO!”

 



O ato falho (o erro ou o esquecimento) ocorre por ambivalência pouco aceita: você foi convidado a um evento chato, mas por alguém que você gosta. Uma valência quer ir (pela pessoa). A outra não quer (pelo evento). A que não quer ir não é bem aceita, é meio varrida para debaixo do tapete… e você não vai porque esqueceu a data.

Mas… o ato falho precisa ser distinguido de duas situações capazes de provocar erros e esquecimentos sem ligação com ambivalência: o TDAH (transtorno de atenção e hiperatividade) e a distração da multitarefa que acomete os idosos. 

A distração do TDAH já é bem conhecida, mas a dos idosos não. Um idoso pode cometer erros e esquecimentos, não por demência ou ambivalência, mas em situações em que tem que fazer várias coisas ao mesmo tempo, e uma ou mais delas acaba saindo errada ou esquecida, pois o “processador” já não é como outrora, tornou-se mais lento e menos ágil.








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quinta-feira, 26 de março de 2026

CUTTING

 


Cutting é o nome genérico para machucados feitos pela própria pessoa. Ele tem várias características:
1. Ele é mais frequente entre meninas, depois em mulheres, depois rapazes, por último homens. Entre os do sexo masculino, os cortes são menos comuns do que os socos, tapas e arranhões.

2. Ele tem motivações multifatoriais, a principal delas é a pessoa se tornar controladora autoral de seus sofrimentos psíquicos, deslocando a dor emocional para a dor física autocontrolada. 

Outro fator é a visibilidade do sofrimento, um pedido de socorro.  Fator de menor intensidade é a “moda”, a imitação por identidade, a visibilidade social exposta na mídia e nas redes sociais que o cutting adquiriu de alguns anos para cá. 

3. O principal sofrimento psíquico motivador é a depressão. Fruto de stress prolongado de angústia, ou de culpa, ou de raiva impotente (ou da combinação dos três), a depressão implica um desinvestimento num mundo que parece sem graça, um recolhimento isolado, uma avalanche de pensamentos catastróficos e uma irritabilidade que costumam ter como “remédio” de alívio mais comum os vícios (álcool, principalmente). 

Mas o vício do sadomasoquismo com os causadores do stress também é comum, e aí o cutting pode entrar como fator duplo: o masoquismo do sofrimento autoinfligido e o sadismo da “vingança vitimista de denúncia dos opressores”.

É importante que esses motivadores sejam vistos como sintomas compulsivos, mais fortes do que a pessoa, e não culpabilizados como má intenção, o que só agravaria o círculo vicioso. Ou seja, há o claro e justo pedido de ajuda.







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