sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

“FREUD SÓ PENSAVA EM SEXO”

 


Essa é uma das críticas sofridas por Freud, que vamos considerar através das “neuroses atuais”.

As “neuroses atuais” (de angústia e neurastenia) de Freud se tornaram obsoletas, e o próprio Freud desinvestiu delas mais no fim da vida (sem nunca as descartar oficialmente).

Ele via causas sexuais em ambas: na neurastenia, excesso de masturbação; na de angústia, falta de satisfação.
Hoje percebemos que a relação de causa efeito está invertida. A neurastenia tem cara de depressão, em que a masturbação repetida entra como fonte de alívio. A de angústia fala de fontes de outras causas gerando perturbação na satisfação sexual.

Mas a visão inicial de Freud faz sentido: a psicanálise nasceu da descoberta dos efeitos da briga inconsciente entre o superego e o desejo sexual (histéricas), o que levou Freud a “ver sexo em tudo”, inclusive nas relações entre pais / mães e filhos (daí a metáfora do Édipo). 

A era vitoriana foi especialmente repressora do desejo sexual, havia mesmo um “superego social vitoriano” a patrulhar a vida íntima de todos, mas especialmente a das mulheres.

Só mais tarde Freud considerou a repressão da raiva como outra causa importante de neuroses (fóbica e obsessiva).








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SUPEREGO SEGUNDO OS SEXOS E SEGUNDO A ÉPOCA

 


“Homem tem que ser assim” - “Mulher tem que ser assado”

O eixo central é muito claro: o Superego sexual como polícia de modelos/antimodelos para cada sexo, atualizado pelo “senso comum” de cada época:

## Antimodelos centrais
- Para os homens: não ser “viado”, entendido sobretudo como não ser afeminado, frágil, passivo, dependente, chorão, cuidador demais, “bonzinho demais”.

- Para as mulheres: não ser “puta”, isto é, não ser vista como promíscua, disponível, interesseira, “sem vergonha”, “sem futuro para casar”.

Pode-se nomear isso como “linhas vermelhas superegóicas”: cruzou, vira antimodelo, perde cidadania sexual.

## Modelos masculinos impositivos
Além de winner, fodão, atleta etc.:
- Provedor e chefe de família: ter dinheiro, carreira, ambição, pagar a conta, “segurar as pontas”, ser o que decide quando tem sexo e como a casa funciona.

- Dono da iniciativa sexual: tem que tomar a frente, nunca ter medo de chegar, mas ao mesmo tempo nunca ser “assediador”; anda sobre um fio.

- Invulnerável: não pode pedir ajuda, não pode admitir solidão, medo, tristeza, muito menos inveja e dependência afetiva.

- Hetero incontestável: qualquer desvio ou curiosidade vira ameaça de desqualificação total (“se experimentar uma vez, já era”).

Dá para articular isso como “masculinidade precaríssima”: status que precisa ser provado o tempo todo, sob risco permanente de virar antimodelo.

## Modelos femininos impositivos
Além de não poder ser “puta” e, hoje, “não querer ser sustentada”:

- Boa menina contemporânea: sexualmente ativa (mas na medida certa), bonita, magra, vaidosa, sensual, porém sempre “empoderada” e controlada.

- Competente total: estudar, trabalhar, se destacar, competir com homens e, ao mesmo tempo, ser doce, empática, disponível emocionalmente.

- Responsável pela relação: manter o casal, “educar” o homem, gerir a casa, antecipar necessidades emocionais de todos.

- Feminista “correta”: apoiar outras mulheres incondicionalmente, romper com qualquer desejo de dependência masculina, não “trair o gênero” ao desejar casamento tradicional.

Aqui dá para mostrar o “duplo vínculo”: seja independente, mas se for “fria” demais também é condenada; se for muito romântica, é brega/antifeminista.

## Superego “progressista” e culpa de grupo
o politicamente correto. Dá para desdobrar:

- Culpa coletiva de identidade: homens, brancos, heteros, cis, classe média para cima, convocados a se sentir culpados pelo que o grupo faz ou fez, independentemente da vida concreta de cada um.

- Novo antimodelo masculino: o “machista, branco, hetero, cis, privilegiado, escroto”, que funciona como espantalho moral e fonte de vergonha preventiva (“não quero parecer esse cara”).[9][8]

- Novo antimodelo feminino: a “mulher submissa”, “bela, recatada e do lar”, culpabilizada por desejar modelo tradicional de casamento, filhos, dependência parcial financeira.

Isso permite mostrar que o Superego muda de conteúdo, mas mantém a estrutura: lei, choque afetivo (vergonha, culpa, nojo, ridículo) e ameaça de exclusão.

Outras imposições:

- Corpo:  

  - Homens: não podem engordar “feminino”, não podem ser “molinhos”, sem músculos, nem cuidar demais da aparência (vira “metrossexual”, “viado”).

  - Mulheres: obrigação de juventude eterna, maquiagem, moda, cirurgias, mas sem “vulgaridade” demais.

- Trabalho e dinheiro:  

  - Homem fracassado econômico vira menos homem; desemprego é quase castração social.

  - Mulher que ganha demais pode ser punida como “mandona”, “difícil”, “assustadora”; se ganha de menos e depende, é “interesseira” ou “acomodada”.

- Afeto e cuidado:  

  - Se o homem assume papel cuidador (criança, idoso, casa), é desvalorizado ou suspeito.

  - Se a mulher não assume, é acusada de egoísmo, frieza, “não ser mulher de verdade”.







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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

COMO SABER SE A TERAPIA ESTÁ FUNCIONANDO ATRAVÉS DO ACOMPANHAMENTO DA EVOLUÇÃO:

 



Das doenças
 (neuroses, vícios, síndromes do pânico e outras, depressão etc.)

1. Você já tem os diagnósticos claros?

2. Já sabe que sintomas estão ligados a eles?

3. O acompanhamento deve ser semanal.

4. O acompanhamento e a avaliação devem ser percentuais, começando em 100%, podendo subir ou descer.

5. Entender que tendência de curva é sinal de progresso (ou de recaída), não precisa haver modificação radical.

6. Registrar “lucros e prejuízos”, melhoras e recaídas.

7. Não se surpreender com oscilações da curva, a melhora nunca é perfeitamente linear.

8. Registrar se o entendimento produziu alívio.

9. Não se confundir com a doença ou com o Superego, pois eles não são você, são bugs no sistema.

10. Se não houver alívio perceptível em duas/ três semanas, revisar o processo de diagnóstico, pois o original pode estar errado.

Desadestramento do Superego 

1. Você está conseguindo perceber quando ele entra em cena com seus choques (vergonha, culpa, angústia, ansiedade, ridículo)?

2. Você está conseguindo traduzir e entender as mensagens dele? Está conseguindo “fazer ele falar”?

3. Você está conseguindo argumentar contra suas cobranças, imposições, condenações, julgamentos? 

4. Você está conseguindo discutir as leis erradas dele?

5. Você já compreendeu que isso é um processo que não acaba, pois ele não zera, só diminui?

6. Você se sente bem treinado nesse processo de reconhecer e de discutir quando ele entra em cena?

7. Você percebe que as coisas que você gosta estão mais sendo feitas por gosto do que por dever e obrigação?

8. A avaliação do alívio do Superego requer mais tempo de prática do que a dos sintomas de doenças, é preciso ter isso em mente.

Aprendizado dos desejos

1. Como estamos falando dos desejos interpessoais, vamos lembrar dos tipos de encontro (intelectual, afetivo e erótico). Lembrando: vamos olhá-los em separado, mas eles costumam vir misturados.

2. Como aferidor do desejo, a bússola é sempre o prazer / desprazer. Se não der prazer, não faz parte do seu desejo.

3. Encontro Intelectual:

4. Quando sozinho, você tem claro o tipo de assunto que te interessa? 

5. Você tem claro o tipo de conversa que te agrada e do que gosta de conversar?

6. Você tem claro que pode escolher seus interlocutores, como se fosse um empresário fazendo entrevistas para o bom funcionamento de sua empresa?

7. Você tem claro que o critério é o gosto, nunca a obrigação?

8. Encontro afetivo:

9. Você tem claro do tipo de afeto que predomina em você? (amizade, amor companheiro, parceria cooperativa, posição filial, posição paternal, posição de liderança, posição seguidora, posição mais ativa, posição mais passiva etc.) Lembrando: falamos de predomínio, pois mudanças de posição, sempre as há
.
10. Você tem claro que, se é a paixão que te atrai, ela precisa ser bem entendida, pois o risco de haver neurose de transferência e idealização irrealista é muito grande.

11. Você tem claro que, se é o amor, ele precisa ser bem entendido, pois há muita confusão envolvendo esse termo.

12. Encontro erótico:

13. Você tem clara a sua orientação sexual predominante? (Homem: tesão visual; Mulher: fantasias e devaneios erótico/afetivos).

14. Você tem claro o seu direito de sua orientação sexual não ser necessariamente única? De haver proporções percentuais diferentes?

15. Na masturbação: 
a. Homens e mulheres: quais são os devaneios ou pornografia principais? Eles servem como bússola para entender o perfil singular do seu desejo.
b. Você prefere desejar mais que ser desejado, ou vice-versa? Qualquer preferência é do seu direito, não existe preferência “certa”.
c. Você prefere ser ativo ou passivo (não importa em qual orientação sexual)? Dominante ou dominado (idem)?
d. Você separa muito o encontro erótico dos outros encontros, ou gosta mais dos misturados?
e. Você entendeu que pode ter mais de um gosto, que estamos apenas investigando predominância?








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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

SER HUMANO E COMPUTADOR: SEMELHANÇAS NA PROGRAMAÇÃO


Fazendo uma equivalência do sapiens com o computador, já que o DNA nos programou visando sua replicação:

Softwares que vêm com a máquina:
Desejos:
1. Prazer (principal, voltado para a replicação do DNA). Motor: excitação sensória
2. Desejos acessórios ao de prazer
a. Desejo de justiça. Motor: raiva, revolta, indignação, mágoa, ressentimento
b. Desejo de entender/conhecer (epistemológico). Motor: curiosidade, interesse, perplexidade, intriga.
c. Desejo de controle / ordenação. Motor: insegurança.
d. Desejo de afiliação social. Motor: apego, empatia.
e. Desejo de imitação. Motor precoce: amparo (bebês esquisitos sempre foram eliminados). Motor tardio: admiração, sintonia de perfis (para a imitação por gosto); obediência, submissão (para imitação por medo)
Obs. A formação de mitos partilhados que levou o sapiens a dominar os outros seres vivos (exceção para vírus e bactérias, mas ainda estamos tentando) vem do desejo de conhecer/entender somado ao desejo de controle/ordenação.
A mitologia começa pelo preenchimento do vazio do conhecimento com invenção de respostas.

A ciência é uma sofisticação tardia desses desejos.
Medos principais:
a. De desamparo
b. De estranhos
Medos secundários: altura, escuro, confinamento, grandes répteis, grandes felinos, grandes insetos voadores.
(N.b. : existe um desejo de imitação, que nos leva a aprender tudo, que não sei como classificar)
Manifestações mais complexas dos medos
Angústia, ansiedade.

mecanismos de defesa contra a angústia (formação reativa, negação, repressão, projeção, autoengano, renegação, racionalização, sublimação)
Formatações
a. Cabeça de homem
b. Cabeça de mulher
c. Exatas
d. Humanas
e. Universal
f. Matemática
g. Caráter obsessivo (leva a clivagem bom/mau, pensamento binário)
Neurodivergências
TEA, Asperger (cabeças matemáticas extremadas), TDAH, narcisismo genético.
Softwares adquiridos

O principal é o Superego, adquirido por adestramento sob medo de desamparo.






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O SUPEREGO NÃO FALA, ELE DÁ CHOQUES

 


De como angústia, vergonha, ridículo, culpa e nojo são meios de o Superego exercer sua tirania sem precisar de argumentos, só através de choques adestradores.

1. Angústia. 
É um mal-estar, um aperto na boca do estômago, um medo sem se saber do quê. O alemão “angst” é de uma origem parente e significa “medo”. O medo genérico de onde a angústia vem é o de desamparo. 
O Superego diz, mas diz sem dizer, só dando o choque: “você vai se danar, ninguém mais vai gostar de você”. 
Abandono, sifudência, demissão, separação, rejeição, cancelamento (essa é uma ameaça moderna), cara feia, reprovação, desterro, expulsão são algumas das situações que, mesmo imaginadas, levam à angústia.

2. Vergonha.
É um sentimento primo do ridículo, pois ambos acontecem diante de uma exposição pública, ainda que só imaginada, de característica reprovável. A pessoa se sente flagrada fazendo algo de “muito errado, muito feio, muito desprezível. Algo oculto é trazido a público e a pessoa se sente julgada por todos (antes de mais nada, por seu Superego).

3. Ridículo.
Definido como “o desmascaramento público da pretensão descabida”, ele é, como a vergonha, uma exposição da pessoa, só que em vez de ser com a revelação de seus “pecados ocultos”, é com a exposição exibicionista de uma qualidade superior que, é evidente a todos, a pessoa não tem.

4. Culpa.
Esse é um sentimento interno, não tem a ver com plateia. Ele acontece quando o Superego iguala algo, que poderia ser simplesmente um erro, a uma qualidade monstruosa, a um dos antimodelos que ele tem em seu estoque, traduzidos por algum adjetivo moralmente pejorativo (assassina, ladra, trapaceira, traidora, ingrata, desonesta, mesquinha etc., sempre o avesso de alguma qualidade moral). 

A culpa é um dos choques prediletos do Superego, e ela traz embutida a angústia de desamparo (“quem vai gostar de uma pessoa assim desqualificada?”), não à toa ela é usada e abusada como arma de manipulação política, doméstica ou religiosa… ou todas essas.

O pior é que ela muitas vezes fala de um erro real, não apenas uma transgressão das leis erradas do Superego (“não pode ter raiva dos pais, eles são sagrados, você é pessoa ingrata”).

A diferença entre a culpa e o erro é o drama. A equação poderia ser: erro + drama = culpa. 

Sem drama, o erro pode ser visto como tropeço no aprendizado, pode ter um julgamento democrático que inclua presunção de inocência, advogado de defesa, atenuantes, indenização justa, correção, aprendizado.
A culpa é sentença sem justiça, é pena máxima irrevogável. Ela costuma levar a autopunições, a penitências, a confissões religiosas, inclusive, pois ela é vista como “pecado”, incluída em orações (“minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa”). 

Na cultura brasileira, ela é tão comum que o reconhecimento do erro impõe um “pedido de desculpas”, coisa que não há em outras línguas (“I’m sorry” é “eu lamento”, e “excuse me” está mais para “com licença” do que para “desculpe”).

5. Nojo.
A repugnância, o nojo, é uma das nossas reações básicas de autoproteção, como os medos inatos. Proteção voltada ao que pode ser contaminante, via visão, olfato, tato e paladar. 

O exemplo mais extremo é o contato com carne em decomposição: o vômito é instantâneo, mesmo se a pessoa estiver vivendo sua primeira experiência.

O mesmo se passa diante dos cheiros corporais fortes, como os genitais, halitose, fezes, suor, pus, que a natureza considera como riscos à saúde.

Mas essa correlação com o “doentio” pode ser usada pelo Superego, especialmente na repressão do desejo sexual. 

Heteros relatam uma resistência inicial a práticas que os ponham em contato da saliva ou de secreções genitais com suas bocas, mas o tesão acaba por suspender pudores e repugnâncias, como um gosto adquirido pelas ostras, p.ex.

O nojo também retorna em situações de “não tesão”, como ver gays se beijando na boca, ou ver casais de velhos fazendo sexo. O nojo pode ser então um dos choques do Superego vindos de leis contra a sexualidade.
Em todos esses casos — angústia, vergonha, ridículo, culpa e nojo — o Superego não precisa argumentar: ele só precisa apertar o botão certo no corpo.  

A tirania se exerce menos por ideias do que por choques afetivos.





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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

“O SUPEREGO NÃO TEM NADA DE BOM?”

 


O Superego é minimamente funcional, pois ele funciona como a tirania, como as ditaduras: como uma forma de governo. E sem governo se estabelece a anarquia, a bagunça, o confronto permanente no convívio social com estranhos.

Mas a ditadura é um governo tosco voltado para os interesses do ditador, em primeiro lugar, sem consideração pelas diferenças que o povo pode ter com ele. A democracia veio no caminho de corrigir isso, de considerar a voz e as características dos governados.

A comparação é pertinente, pois a criança é o “povo da casa” dos pais, e é nela que o Superego será instalado: é preciso haver governo, mas é melhor se ele for democrático. Se democrático, a criança não será adestrada para ter um Superego. Ela terá valores dela, de seu Eu, de seu Ego.

O Superego defende valores certos, como a honestidade e a justiça, mas de forma errada (“você TEM QUE…”). A democracia convence seus governados (as crianças, no caso) de que esses valores lhes interessam, que eles podem ser absorvidos e praticados por gosto, não precisa ser por medo do castigo.





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SOBRE O AMOR

 


Do ponto de vista da psicologia evolucionista, o amor é um tipo de prazer selecionado pelo DNA para fins de sua replicação e para a sobrevivência do ser replicado.

Ainda por esse ângulo, ele desperta vontade de investimento, desperta apego, vontade de amparo e de ser amparado, tudo servindo à otimização da réplica do DNA.

Portanto, o amor é um impulso natural, mais um passível a ser corrompido pelas leis do Superego, tipo “você TEM QUE amar seus pais”, que transformam o gosto da pessoa, de seu Eu, de seu Ego, em obrigação por medo do mau julgamento. Não transformam completamente, mas sequestram território.

Mas o que se chama de amor cobre um espectro amplo, que vai do prazer sentido ao sofrimento da paixão – a palavra vem do latim “passio”, cuja tradução é apenas “sofrimento”, tal qual na paixão de Cristo.

E passa por algo menos sentido, não sofrido, mais deliberado, mais produzido: quando o bebê chora durante a noite, vamos lá atendê-lo movidos pelo amor por ele, apesar de que no meio da noite não estamos sentindo esse amor, estamos agindo em nome dele, por escolha.

Amor sentimento
O amor sentimento vem dos encontros, dos encaixes de desejos simétricos, espelhados, um ativo, o outro receptivo, ainda que esses perfis possam se alternar.
Vamos pensar nos possíveis encontros de desejos: intelectual, afetivo e erótico. Eles vão ser apresentados em separado por razões didáticas, mas na vida real costumam se misturar.

Como exemplo, o desejo de encontro intelectual. Se o encontro é bom, ambos “amam conversar”. Quando se encontra um real interlocutor, uma verdadeira afinidade intelectual, os papéis ativo/receptivo costumam se alternar mesmo durante a conversa. Se o encontro é mais de professor/aluno, paterno materno/filial, haverá predominância de papéis. Mas mesmo nesses, o interesse do aluno ou da criança, suas perguntas inteligentes, sua vontade de saber desempenham um papel ativo que conversa em troca constante.

Veja que estamos olhando o prazer do encontro amoroso, sem falar das invasões do Superego em nome de instituições, como namoro, casamento etc., que costumam atrapalhar o sentimento por tentar obrigá-lo.

O encontro afetivo é o mais semelhante ao que se chama comumente de amor. Enquanto o intelectual excita a mente e o erótico excita o corpo, o encontro afetivo “aquece o coração”. Há uma paz gostosa e tranquila no encontro afetivo de base, seja na amizade, seja nas relações entre irmãos, ou entre pais e filhos, algo que transmite segurança de amparo, algo que pode se chamar de “amor companheiro”, que pode existir dentro e fora de laços instituídos, como namoro ou casamento.
Claro, nesse departamento há também a excitação romântica.

Nesses casos, os encontros podem ser realistas ou não, por causa da paixão. Quando há paixão, a margem de idealização pode variar de tamanho, mas costuma ser grande. É na paixão que se dá uma das expressões de doença psíquica mais complexa, a neurose de transferência, que repete o drama infantil de insatisfação da relação com um dos pais, e que fica eternamente em busca de uma satisfação que nunca vem.

Amor produção
Ele é misturado ao de sentimento em doses variáveis. O amor produzido vem do desejo mais amplo, como o desejo paternal/maternal, estendido não só aos filhos, mas até aos não tão próximos ou conhecidos, como leitores, alunos e público em geral. Ele se traduz em ações práticas (como o levantar à noite para atender ao bebê que chora).

Há um exemplo de amor produção, que se mistura ao de sentimento de devoção, particularmente importante a ser contemplado: o amor ao deus da religião, ou ao líder político carismático, ou ao ídolo artístico, que pode levar a uma gama imensa de atitudes nem sempre favoráveis para os que não o sentem. É um amor de submissão cega, apaixonado, imune à racionalidade, que se parece muito com a paixão da neurose de transferência.



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