quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

LUTO DE GENTE VIVA

 


Quando houver rompimento de relações e a pessoa estiver mal, a principal suspeita é luto de gente viva. O luto de gente viva acontece diante de rompimentos de namoros, de casamentos, de amizades, afastamentos de pessoas que realmente importam, como namorados, cônjuges e outros. 

O luto de gente viva também acontece em casos em que a pessoa desapareceu e nunca mais foi vista: não se sabe se ela morreu ou não. O caso mais famoso desse último é o das “mães da praça de Maio”, argentinas cujos filhos foram sequestrados pela ditadura e nunca mais apareceram. 

Quando houver desaparecimento de pessoas e seu próximos estiverem mal, a principal suspeita é luto de gente viva. O problema que torna o luto de gente viva especialmente difícil é a esperança: como não se viu o defunto, há sempre a possibilidade de o ente querido não ter morrido (ou o amor perdido não ter realmente se acabado). Essa incerteza produz um sofrimento prolongado, com altos e baixos no sentimento de luto. 

Outro problema do luto de gente viva é a culpa recorrente de se pensar “e se eu tivesse agido diferente?”, “eu podia ter dito isso ou aquilo, e não a teria perdido”, a tentativa de mentalmente se consertar o passado e imaginar como teria sido.

É verdade que a culpa pode sempre ser agravante de qualquer luto, mas como no luto de gente viva há sempre a sombra da esperança, a culpa e a ideia de que se poderia ter agido diferente traz a imaginação de que, se houver uma volta, uma nova chance, as coisas podem ser recuperadas e a dor do luto pode sumir.







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