terça-feira, 19 de maio de 2026

PROBLEMAS EMOCIONAIS DA VELHICE




 

– sentimentos de perda / lutos


Luto: o sentimento que decorre da perda – objetiva ou subjetiva – de algo, ou de alguém, em quem, ou em que, a pessoa fez grande investimento de tempo, de afeto, de custos. Ou seja, algo, ou alguém muito importante para a pessoa.


O mais óbvio é o luto diante da morte de pessoa querida. Mas há outras formas de luto, como o de gente viva, de status social, de condições pessoais muito prezadas, de pets muito queridos etc.


Vamos ver aqui formas de lutos inerentes ao avanço da idade.


1. O ponto de partida: a velhice como acúmulo de lutos


Luto é o sentimento ligado a perdas de algo – ou de alguém – que foi alvo de muito investimento de valores pessoais, seja de tempo, de investimento emocional, de dinheiro etc.

Logo, luto = investimento + perda


O critério de velhice aqui usado não parte de uma idade objetiva, parte de uma visão de si mesmo, dentro da realidade vivida pela pessoa. Pois o luto ligado à idade acontece em diversos tempos da vida, inclusive a infância.


Um exemplo caricatural disso é o das profissões que dependem do corpo jovem, como a de modelo, bailarina, ginástica olímpica, ídolo infantil/adolescente, atleta de alto rendimento etc. Em todas elas haverá o momento de perda e sua dura transição.


A velhice é atravessada por múltiplos lutos sobrepostos. O luto da imortalidade (que bate forte em datas redondas como os 70 anos) é apenas um deles — e nem sempre o mais difícil.


2. O inventário ampliado dos lutos

Além dos lutos clássicos da idade (aparência, desejo, atratividade, funcionalidade, segurança financeira, independência, agilidade, memória), foram acrescentados:

• Papéis sociais (perda da identidade profissional)

• Parentalidade ativa (saída dos filhos, síndrome do ninho vazio)

• Pares afetivos e/ou profissionais (rarefação da rede social)

• Corpo erótico (deixar de desejar e de ser desejado)

• Futuro como horizonte aberto (o tempo vira “o que resta”)

• Utilidade (passar de quem dá para quem recebe)

• Reconhecimento social (invisibilidade do velho)

• Projeto de si (acerto de contas com o que se quis ser)


2. A leitura pelo Superego


Boa parte desses lutos atinge funções que o Superego transformou em condições de valor pessoal. É o chamado “luto do personagem”. A pessoa atribuía seu valor ao papel que desempenhava, seja como profissional quanto pessoal.

Quem se identificou rigidamente com ser produtivo, desejável ou indispensável sofre não só a perda objetiva, mas o desabamento da imagem que sustentava a autoestima.


4. A aposentadoria como luto da identidade

Caso emblemático: abre-se um vazio que a pessoa não sabe preencher, produzindo um tédio muito específico. Parece com o luto do personagem.


5. A semelhança com a adolescência

O tédio do aposentado é estruturalmente parecido com o do adolescente. Ambos foram expulsos de uma economia psíquica que funcionava e estão numa zona intermediária: “em que investir minha vontade, meus desejos e meu tempo?”.


6. A diferença crucial entre as duas crises

A adolescência é crise com um futuro vislumbrado, a “vida de gente grande”. A aposentadoria é crise sem roteiro — uma “adolescência sem turma”, sem rito de passagem, sem promessa cultural para vinte ou trinta anos de vida “sem rumo certo”.


7. O tédio da transição

Assim como na passagem da infância para a adolescência, quando frente à perda de graça dos velhos brinquedos, o desejo ainda não descobriu seus novos objetos, a aposentadoria pode trazer o mesmo tipo de tédio: “e agora? Onde haverá coisa interessante para fazer?” É uma transição que dá trabalho (e que deveria ser antecipada, antes que a aposentadoria chegasse).


9. O luto da atratividade sexual e como ele é cruel para as mulheres

A diferença entre os sexos nesse luto vem da biologia, não da cultura. Enquanto o desejo masculino é despertado pelos sinais visuais de fertilidade (que declinam na menopausa), o desejo feminino é despertado pela admiração (que pode aumentar com o tempo). Daí Sean Connery ter sido considerado sexy aos 80, sem que coisa semelhante aconteça com mulheres.


10. A injustiça biológica dupla para a mulher

A mulher perde a atratividade visual e perde também a própria capacidade de excitação, porque os hormônios da libido caem na menopausa. 






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quarta-feira, 13 de maio de 2026

ADESTRAMENTO “DO BEM” x ADESTRAMENTO “DO MAL”

 


Tenho dito que o Superego é um automático instalado em nós através de um adestramento tosco baseado em ameaça de desamparo: se fazemos (ou pensamos) algo que o Superego condena, recebemos um “choque de desprazer” em forma de angústia, culpa, vergonha ou ridículo. É assim que ele nos manipula.

Mas isso não quer dizer que todos os adestramentos são “do mal”, pois nem todos os automáticos são “do mal”. Ao contrário: sem automáticos “do bem” não faríamos quase nada na vida. 

A parte de nossas ações comandadas de maneira consciente, a partir do nosso Eu, do nosso Ego, é muito pequena se comparada com nossas ações automáticas que servem às nossas escolhas.

Veja o que acontece agora: você, seu Ego, escolheu ler este texto. Entram em cena diversos automáticos “do bem” para tornar isso possível: o próprio aprendizado da língua portuguesa e o da leitura estão automatizados em você desde a infância, e estão armazenados no seu cérebro em uma área diferente do córtex pré-frontal (onde moram a consciência e o Eu que escolhe).

A mesma coisa ocorre quando você dirige um carro: o número de procedimentos automáticos que ocorrem, e que tornam a direção possível, é enorme… e todos “do bem”.

A Psicanálise do Superego visa tirar os automáticos “do mal” e fazer com que os “do bem” sejam incorporados pelo mesmo processo que incorporou a leitura: através do aprendizado por escolha. 
Aprendizado esse que não termina nunca, e essa é sua beleza: “a beleza de ser um eterno aprendiz” (Gonzaguinha, “O que é, o que é?”, 1982). 








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segunda-feira, 11 de maio de 2026

DIFERENÇA ENTRE “LEVE” E “LEVIANO” - A ALTINHA

 


O Superego atrapalha a melhor característica de nossa espécie, que é “não se levar a sério”, ser criança brincando pela vida. Escolhi essa diferença entre o leve e o leviano como exemplo das duas coisas: a boa brincadeira e a influência indireta do Superego através do “dane-se”

A leveza é uma característica não dramática da brincadeira. O brincar pela vida afora é a marca registrada da melhor faceta de nossa espécie: a capacidade de se manter interminavelmente criança (cujo nome complicado é “neotenia”: do grego, “apego à juventude, à forma nova”).

A leviandade é o prazer imediatista que não leva em conta as consequências, que não tem consideração pelo outro, que “faz que não vê” os danos possíveis. A leviandade é um sinal de que o “dane-se, vou fazer” está operando. Ela não é “brincadeira”, é transgressão.

A brincadeira só tem uma coisa de “séria”: suas regras para funcionar. O resto é alegria.
Aqui no Rio temos um exemplo notável: a altinha.

A Altinha: um tipo de Leveza Estruturada

A altinha exemplifica perfeitamente essa distinção entre leveza e leviandade: uma brincadeira, um jogo, ancorada em regras básicas que a fazem funcionar bem. O jogo carioca, reconhecido como patrimônio cultural da cidade desde 2020, opera com uma regra fundamental - não deixar a bola cair no chão - e uma cooperação implícita: não há vencedores nem perdedores, a ideia é apenas manter a bola no alto e passá-la adiante.

### Regras que servem à Brincadeira

As leis mínimas da altinha - proibição do uso das mãos, objetivo compartilhado de manter a bola no ar, valorização do passe bonito - ajudam a criatividade sem atrapalhar o jogo. As regras servem a todos, ajudam na diversão e na cooperação, resultam da boa combinação prévia em que todos estão de acordo: a regra serve aos jogadores, não é o contrário, não são os jogadores escravos da regra.
É através das regras que a leveza se expressa: manobras criativas, passes bonitos, colaboração espontânea.

### Cooperação brincalhona de um lado, Competição do outro

Diferentemente dos jogos competitivos, onde há winners e losers (vencedores e perdedores), a altinha é um ótimo exemplo do "ganho generalizado e cooperativo". Todos trabalham para um objetivo comum, compartilham dificuldades, e a beleza do passe importa mais que a posse da bola.

A altinha é leve; não é leviana. 







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O DESEJO DE JUSTIÇA É MOVIDO PELA RAIVA

 


Aqui vão algumas categorias que cobrem o espectro percentual da reação à injustiça.

Não vejo problemas em intitular genericamente de “raiva” a reação a injustiças, mas entendo que há suscetibilidades a respeitar.

• 0–10%: Incômodo
• 10–20%: Chateação
• 20–30%: Aborrecimento
• 30–40%: Irritação
• 40–50%: Contrariedade
• 50–60%: Desconforto forte / sensação de injustiça
• 60–70%: Ressentimento
• 70–80%: Mágoa
• 80–90%: Indignação
• 90–100%: Raiva

Não incluo o ódio por ele já ser em si um estado de mau gerenciamento da raiva. 





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quinta-feira, 7 de maio de 2026

APRENDENDO COM O ANTIMODELO

 


Um dos jeitos como aprendemos sobre o nosso desejo é por exclusão. É vendo aquilo de que não gostamos. Assim como existe o modelo de identificação por gosto, existe o modelo que nos causa desgosto: o antimodelo.

Mas, atenção, não se trata aqui daqueles antimodelos monstruosos que o Superego usa para nos manipular. Não; aqui estamos falando simplesmente daquilo que não queremos ser por desafinidades, por não ter nada a ver conosco. Ou mais precisamente, é o exato contrário do que gostamos.

Meu antimodelo de postura psicanalítica foi encarnado pelo Dr. Roberto, meu primeiro analista, faz 57 anos. Eu o conheci como meu professor de psiquiatria, no curso médico da UFRJ, ainda na Praia Vermelha.

Roberto, como aprendemos a chamá-lo durante as aulas, era simpático, inteligente, bem-humorado, didático, tudo de bom. Como eu sofria, na época, com minha neurose obsessiva, ao saber que ele era também psicanalista, fui procurá-lo para me tratar.

Não fazia ideia do que era a tal de psicanálise, mas… como ele era médico, e bom médico, fui esperando diagnóstico, tratamento e cura do meu problema.

Em sua casa, fui levado à sala de espera, onde havia lindas fotografias em p&b nas paredes. Fiquei encantado: “caramba, será que além de um cara legal, ele também é um fotógrafo talentoso?” Roberto apareceu. Assim que o vi, falei, “Roberto, que fotos espetaculares! São da sua autoria?” Ele, com um semblante sério como eu nunca havia visto nele, me disse:
“É ‘DOUTOR’ Roberto. Pode passar…”
Me levou ao consultório e apontou o divã. Em silêncio estava e em silêncio ficou. Ao final de cinquenta minutos me disse que seriam cinco sessões semanais e que o preço era tanto.

Mais tarde aprendi que isso tudo era chamado de “neutralidade do analista”, uma tela em branco onde o cliente poderia projetar suas “transferências”, acredita?

Foi minha primeira aula do que eu não queria. Nem para a psicanálise, nem para o comportamento do psicanalista.







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SUPEREGO? OU “SEU ALMEIDA”?

 


Um problema da técnica, na psicanálise do Superego, pode ser justamente chamar o Superego de Superego.

Exceto para clientes familiarizados com a teoria psicanalítica, o nome “Superego” pode causar estranheza e não transmitir a eles o conceito de “bug no sistema” que queremos, algo que está nele, mas que com ele não se confunde.

Por isso, desenvolvi o hábito de buscar um nome próprio para o Superego dos clientes. Vou detectando, no histórico do cliente, a pessoa que foi (ou continua sendo) a principal adestradora de seu Superego, para passar a chamá-lo com esse nome. 

Como exemplo, um cliente cujo pai desempenhou esse papel – e que continua desempenhando – teve seu Superego nomeado por mim: eu só falo dele perguntando pelo “Seu Almeida”. “E aí, de que Seu Almeida está lhe acusando?”

Assim, a cada vez que ele relata um dos choques típicos do Superego (angústia, vergonha, culpa, ridículo), eu conclamo “Seu Almeida” para falar. Com isso, o cliente se acostuma a um dos objetivos principais da Psicanálise do Superego: não se confundir, nem com a doença, nem com seu próprio Superego. Ele desadestra essa confusão maligna e se torna cada vez mais parceiro meu a examinar os bugs, tanto a doença quanto o Superego.




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quarta-feira, 29 de abril de 2026

O SUPEREGO E SUAS DUAS FACES: OPRESSOR E SEDUTOR

 


### Freud: da política à cabeça
A psicanálise freudiana já tinha um ponto genial: o que acontece na sociedade acontece também dentro da cabeça. 

Quando Freud fala da história da cultura, das leis, da religião e da repressão dos desejos, ele está sempre desenhando um espelho: de um lado, política, família, religião; do outro, conflitos entre desejo, culpa e proibição dentro do sujeito. Em dois livros isso fica claro: em “Totem e tabu” e em “O mal-estar na civilização”.

***

### O Superego como herdeiro do tirano
Nesse espelhamento, o Superego aparece como herdeiro direto das formas de poder tirânicas. Tudo aquilo que antes vinha de fora – o pai autoritário, o chefe, o rei, o deus, o padre, o policial – vai sendo introjetado e transformado em voz interior. 

Essa voz vigia, acusa, pune, cobra “boa conduta” e controla o desejo singular, como se fosse um pequeno ditador alojado na cabeça de cada um.

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### O que eu acrescento à visão do Freud 
O que eu procuro fazer na Psicanálise do Superego é pegar esse esboço freudiano e colocá‑lo num quadro muito maior. 

Freud não tinha à disposição a história dos caçadores‑coletores, a ideia de Revolução Agrícola, a psicologia evolucionista, a sociobiologia, nem boa parte do que hoje sabemos sobre a história da humanidade. 

Eu uso esse material todo para pensar como as formas de tirania que surgem ao longo dos milênios – na política, na economia, na religião – reaparecem, em miniatura, na família e dentro da cabeça.

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### Da infância caçador-coletora à escola tirânica
Gosto de pensar a infância como uma espécie de última sobrevida do mundo caçador‑coletor: menos governo, menos leis, mais brincadeira, mais corpo, mais liberdade criativa.

Quando a criança entra na escola, esse pequeno “paraíso” acaba, e ela é jogada num sistema organizado em dominantes e dominados. 

É como se ela estivesse repetindo o que houve com a revolução agrícola e o aparecimento das cidades, convivência com estranhos e com os governos tirânicos. 

Ela sofre bullying e depois repete o bullying nos outros. Entra como calouro humilhado e, quando vira veterano, repassa o trote. Aprende na prática a lógica do oprimido‑que‑se‑prepara‑para‑virar opressor.

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### A parte sedutora do Superego: o “ideal do Ego”
O ponto crucial, para mim, é que o Superego não se mantém só pela polícia interna, pelo medo. Ele se mantém porque é profundamente sedutor. A mensagem é mais ou menos esta: “obedece, aguenta o tranco, engole o desejo, sente culpa e vergonha, que um dia você chega lá e vai poder mandar também. Seja como eu, seja um ser Ideal”. 

Ou seja, o sujeito aceita ser dominado hoje na esperança de um dia ocupar o lugar do dominador. É essa promessa de poder futuro – esse “ideal de tirano” – que faz a tirania externa se repetir na família, na escola e dentro da cabeça.

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### Um quadro mais amplo do Superego
Resumindo o movimento: Freud já tinha montado o espelho entre política externa e política interna. O que eu faço é pegar esse mesmo espelho e ampliá-lo numa dimensão que inclui pré‑história, evolução, história das tiranias e vida psíquica. 

Com isso, o Superego deixa de ser só “o herdeiro do Édipo” e passa a ser também o herdeiro de uma longa tradição histórica de opressão – mas também da sedução de um dia poder ocupar o lugar do opressor.





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LIDANDO COM A NOSSA PRÓPRIA NATUREZA

 


Freud nos comparou, nosso Ego, ao cavaleiro e o Id ao cavalo. “O cavaleiro quer guiar o cavalo, mas às vezes o cavalo tem ideias próprias e domina o cavaleiro, levando-o a lugares inesperados.”

Eu acrescentaria que há duas maneiras de lidar com esse cavalo: a da doma violenta, que tenta quebrar o animal, e a do horse whispering (algo como “conversar sussurrando com o cavalo”), que tenta compreendê‑lo e cooperar com ele.

A Psicanálise do Superego, que desenvolvo a partir de Freud, se orienta por esse segundo modelo: não quer ‘domar’ o sujeito, mas criar uma relação em que a força do cavalo possa ser escutada, negociada e integrada.







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O EU (EGO) NO COMANDO DA MINHA VIDA

 


Tenho muita pena de quase ninguém mais se lembrar da análise vetorial que estudamos nas aulas de física do secundário, porque ela é ótima para se entender o jogo de forças que operam em nós, sem que percebamos. E se a gente consegue entender essas forças, podemos comandar melhor nossa vida na direção que desejamos.

Então vou fazer duas coisas: lembrar como era a análise vetorial que aprendi, e depois eu mostro uma tradução visual que imaginei e que pedi ao Perplexity para desenhar.

1. Análise vetorial: sobre um ponto, várias forças (os tais vetores) se aplicam, tracionando o ponto com intensidades e direções diferentes. Esse conjunto combinado faz com que o ponto se mova numa direção chamada de “resultante”. Se qualquer força mudar de direção ou de intensidade, a resultante também mudará.
2. Desenho do Perplexity: pedi a ele que desenhasse um anel com várias cordas amarradas a ele, com direções e forças diferentes. Cada corda é puxada por um de nossos componentes mentais, como o Ego, o Id, o Superego, cada um de nossos desejos e medos, e mais a realidade externa.

O Ego tenta gerenciar as outras forças, mais as circunstâncias, para fazer o anel ir na direção que ele quer. Mas é claro que isso não é fácil, sobretudo se ele não entende bem essas forças.

É assim que funcionamos. A Psicanálise do Superego busca entender cada força dessas, de modo que nosso Ego (Eu) possa ir para onde ele realmente quer.






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“FAZER AMOR X BRINCAR NA CAMA”

 


De como o Superego é capaz de nos roubar o prazer, até “falando de amor”.

## 1. Superego e o drama

- Descrevo o Superego como uma instância que nos adestra por “choques” de vergonha, ridículo, culpa e angústia, produzindo um mal‑estar tão imediato que vira drama.

- Drama é o motor da reatividade: cria urgência, impede reflexão, emburrece; é o instrumento de domínio do Superego tirânico, que só governa quando consegue abolir a inteligência.

## 2. Discurso tirânico vs. democrático (política e clínica)

- Comparo a fala de alguns raros políticos democratas (reflexiva, calma, complexa em linguagem simples, pacificadora) com a de alguns pastores religiosos (intensa, aos berros, carregada de imagens ameaçadoras e acusatórias, voltada para reatividade, dramática, em suma).
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- O tirano precisa de drama, emburrecimento e instrumentos de choque para obter submissão; o democrata fala à inteligência, transmite segurança e amparo, e assim desativa o drama e convida à reflexão.
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- A proposta clínica da psiSE (tranquila, acolhedora, bem‑humorada) é análoga ao “discurso democrático”: ela tira o drama, oferece parceria e permite que o paciente pense, em vez de apenas reagir.
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- Quando essa postura e essa fala não bastam para baixar o drama interno, quando o cliente chega atormentado por sofrimento, o apoio farmacológico (como a bupropiona) é importante para completar essa função antissuperegóica.

## 3. Erotismo: de “fazer amor” a “brincar”: com drama x sem drama

- Há uma idealização comum: imaginar o erotismo como um perfeito desdobramento da afetividade – acolhimento, carinho, entendimento – sintetizado na expressão “fazer amor”.

- Essa imagem idealizada monumentaliza o sexo e o aproxima de um altar superegóico: ele vira prova de amor, rito máximo, fonte de culpa e cobrança quando a realidade não corresponde. Ela é uma especie de Ricardão sofisticado: o sexo como prova de amor perfeito. É um “drama para cima”.

- Em contraste, a realidade erótica humana se parece mais com essa maravilha da nossa espécie, o continuar criança pela vida afora, característica do caçador-coletor: no sexo, em essência, “brinca‑se”, sem drama, sem monumentalização – o erotismo como jogo, curiosidade, personagens, experimentação.

- Dessa transição nasce a oposição “fazer amor” (idealização afetivo‑romântica monumentalizante e dramática) versus “brincar” (erotismo lúdico, neotênico, leve, sem dramatização moral).

## 4. Brincadeira erótica, fetichismo e não patologização

- Muito do que se chama “fetichismo” é, na realidade, apenas brincadeira erótica: jogos de papéis, personagens, variações de gênero, objetos, fantasias.

- Ao rotular tudo isso como “fetichista”, aciona‑se um olhar crítico e patologizante, como se todo fetichismo fosse vicioso e sempre danoso.

- O que a psiSE vê como problemático é o “vício fetichista” (compulsivo, empobrecedor, danoso), não a brincadeira; brincadeira consensual nunca é doença.

- Por exemplo, há homem hétero que gosta de “brincar de fêmea” no sexo. Isso não é patologia nem motivo de crítica, é simplesmente uma forma de brincar dentro do campo erótico.

## 5. Linguagem simples, McLuhan: linguagem do Ego

- A psiSE defende um vocabulário simples, acessível, que qualquer pessoa entenda e que não induza a monumentalizar a escuta: “brincadeira” versus “vício fetichista”, em vez de “parafilia” versus “transtorno parafílico”.

- Termos técnicos pesados soam como sentenças de tribunal: assustam, produzem vergonha e distância, e funcionam como instrumentos do superego, mesmo quando o conteúdo tenta ser neutro.

- Retomando McLuhan (“o meio é a mensagem”), a forma da linguagem já é conteúdo: se você fala de algo que é brincadeira, mas usa palavras pesadas, sofisticadas, inatingíveis, manda uma mensagem superegóica, de julgamento e hierarquia.

- Ao escolher palavras simples (“brincadeira”, “vício”) e um tom acolhedor, a PsiSE alinha meio e conteúdo: sua linguagem, como meio, comunica humanidade comum, ausência de ameaça e confiança na inteligência do paciente – exatamente o inverso da postura superegóica.







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sexta-feira, 24 de abril de 2026

O QUE MORA EM NOSSO INCONSCIENTE?

 


Freud fez a grande descoberta: nós éramos manipulados por forças inconscientes que se combatiam, nossos desejos malvistos pelas leis morais da cultura e o nosso Superego, onde moravam essas leis, implantadas em nós desde a infância.

Nós tínhamos “algo em nós”: o Inconsciente. O Id.

Então nosso Eu (Ego) acabava sendo alugado por essa briga: o Superego de um lado e o Id do outro.

Mas o inconsciente contém muito mais do que isso: lá mora a programação feita pelo DNA para atender seu propósito, sua replicação. É essa programação que nos move.

Ela contém desejos (motores da replicação) e medos (conservadores da máquina até que ela cumpra sua função).

O desejo principal é o de prazer. O medo principal é o de desamparo (desproteção).

O desejo de prazer tem desejos auxiliares: o desejo de justiça, o desejo de conhecer / entender, o desejo de controle / ordenação.

Como o desejo de prazer precisa de paz e entrega para poder funcionar em seu maior propósito (sexo), os desejos auxiliares operam para produzir essa paz.

Os medos programados também buscam assegurar essa paz que permite o desfrute do prazer: medos de confinamento, altura, escuro, grandes felinos, répteis, grandes insetos voadores são hoje quase que esquecidos.

Mas o medo de desamparo (desproteção) e o medo de estranhos seguem funcionado a pleno vapor: se você se sente desamparado e desprotegido, se o ambiente em torno te é estranho, não te é familiar, o prazer não acontece.

Resulta que, muito bem escondido em nosso inconsciente, em nosso Id, mora o grande programador, nos manipulando para seu propósito: o DNA.






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RELAÇÃO CUSTO-BENEFICIO

 


O avaliador de prazer-desprazer que vem com o DNA 

Não há ação humana que não passe por uma avaliação de custo-benefício, mesmo que ela não fique clara para nós. Todas serão fruto da percepção de que o custo é menor do que o benefício. O que é estranho, pois há ações visivelmente custosas, custosas ao extremo até. Pois mesmo nessas o benefício vence, mesmo que incompreensível à primeira vista.

É incompreensível porque não nos é fácil ver custos menores como sendo benefício, mas eles o são. 
Como exemplo mínimo, quando perguntada por que ficava com um marido tão ruim, ela respondeu: “Ah, ruim com ele, pior sem ele”. 

Como exemplo máximo, o suicídio: a morte como alívio do custo de sofrimento terrível e inescapável.
Esse programa é derivado de um avaliador de prazer-desprazer que o DNA embutiu em nós para fazer sua replicação, sem morrer antes.

Por isso, perseguimos o prazer e evitamos o desprazer, e isso nos move pela vida.

Agora, a programação está no Id, no inconsciente, só percebemos seus efeitos. Espinoza disse que a liberdade consiste em conhecer os cordéis que nos manipulam. A avaliação automática custo-benefício é o principal cordel que nos manipula. 

Quanto mais estivermos conscientes dela, mais liberdade nosso Eu, nosso Ego, terá de escolha. Sobretudo se soubermos avaliar realisticamente os custos e os benefícios. Exemplo: o menino ficou sabendo que masturbação era um pecado mortal que o mandaria para o inferno pela eternidade. Depois de uma avaliação realística das premissas envolvidas, ele deixou para trás… a religião.







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terça-feira, 14 de abril de 2026

SENSO DE HUMOR x SUPEREGO

 




A mãe viu o filho chorando porque o irmão tinha lhe feito alguma coisa. Ela interpelou o irmão, que lhe respondeu: "Poxa, mãe, eu só estava brincando." 

Ela respondeu ao filho: "Não, meu filho, brincadeira é quando os dois riem juntos. Se um ri e o outro chora, não é brincadeira, é maldade.”

1. Humor do Ego / Humor do bem: rir juntos

   Vai da simplicidade do trocadilho ao humor mais elaborado em que o Eu brinca com a realidade, desdramatiza a falha e convida o outro a rir junto. É humor que alivia a tirania do superego, preserva a dignidade de todos e fortalece o laço. O melhor retrato disso é a autogozação (self mockery), o clímax da leveza, de não se levar a sério.

2. Humor do Superego / Humor do mal: rir de alguém 

   É o humor que se alia ao superego para corrigir, punir e humilhar, usando ironia, sarcasmo, ridículo e deboche como instrumentos de disciplina moral. É uma espécie de bullying. Ele não alivia a culpa, reforça-a; não aproxima, hierarquiza — é o rir de alguém em nome do “bom costume”. O Superego o usa para adestrar e homogeneizar as pessoas ao senso comum.

3. Humor da branda implicância (zona intermediária, mais próxima do humor do bem)

   É o mais comum entre grupo de homens amigos. Usa a gramática dura do superego (falsos xingamentos, falso ódio, implicância) para, na verdade, ridicularizar o próprio superego e burlar o senso comum. É uma forma de dizer “eu te amo” entre homens por meio de um código invertido, em que se ri com o outro e do superego que proíbe que esse amor seja declarado de frente.

Exemplo: dois casais de conhecidos se encontram por acaso na rua, o homem de cá diz para o de lá: “E aí, viado, tá dando muito esse cu?” E o outro: “Ah, nem tanto quanto a sua mãe!” Quando se afastam, o primeiro diz pra mulher: “Pô, esse cara é demais, eu amo esse cara”.







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segunda-feira, 13 de abril de 2026

OS DEZ MANDAMENTOS EM SUA FORMA ORIGINAL - UM EXEMPLO DE COMO O SUPEREGO É FORMATADO

 


Nós aprendemos no colégio a forma resumida. Fui pesquisar algo próximo da forma original, pois ela é muito mais explícita. Repare que:

1. Só existem três mandamentos que previnem crimes (matar, furtar e levantar falso testemunho).

2. Quatro mandamentos são voltados à submissão patriarcal (1°, 2º, 3º e 4º).

3. Dois mandamentos inventam o pecado de pensamento (“não desejar” e “não cobiçar”).

4. O de “não desejar” lista a mulher como um dos pertences do homem, e não está nem aí para o desejo da mulher.

5. O de “honrar pai e mãe” não menciona “honrar filho e filha”, que são tão pertences do patriarca quanto suas mulheres.

6. O sexto, da castidade, não era originalmente genérico, era específico contra o adultério, que seria o único pecado sexual. Masturbação estava fora; fantasias sexuais, também; sexo antes do casamento idem.

Vamos a eles, portanto:
1º. Como o aprendemos (a): “Amar a deus sobre todas as coisas”.
Forma original (b): “Que ames o Senhor teu Deus com o inteiro do teu coração, com tudo o que és na tua alma, com a plena força do teu entendimento e com todas as tuas energias, colocando esse amor acima de qualquer outro apego ou interesse.”

2º. a. “Não tomar seu santo nome em vão”.
b. “Que não uses o nome do Senhor teu Deus de modo leviano ou vazio, sem respeito ou com falsidade, como se o convocasses para justificar o que não é verdadeiro ou para reforçar palavras ocas.”

3º. a. “Guardar domingos e festas”.
b. “Que separe o dia consagrado ao Senhor, interrompendo teus trabalhos habituais para dedicar esse tempo ao repouso e ao culto, assim como o teu Deus descansou de sua obra.”

4º. a. “Honrar pai e mãe”.
b. “Que honres teu pai e tua mãe, tratando‑os com respeito, para que teus dias se alonguem na terra que o teu Deus te concede.”

5º. a. “Não matar”.
b. “Que não tires a vida de outro ser humano, não cometendo homicídio.”

6º. a. “Não pecar contra a castidade”.
b. “Que não cometas adultério, não traindo a aliança do casamento com relações sexuais fora dele.”

7º. a. “Não furtar”.
b. “Que não tomes para ti aquilo que pertence a outra pessoa, não cometendo roubo nem qualquer forma de furto.”

8º. a. “Não levantar falso testemunho”.
b. “Que não dês testemunho mentiroso contra o teu próximo, não acusando injustamente nem deturpando a verdade sobre ele.”

9º. a. “Não desejar a mulher do próximo”.
b. “Não cobiçarás a casa do teu próximo; não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que lhe pertença”.

10º. a. “Não cobiçar as coisas alheias”.
b. “Que não fiques desejando para ti o que pertence aos outros, não alimentando inveja ou cobiça pelos bens alheios.”






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terça-feira, 7 de abril de 2026

SUTILEZAS DO SADOMASOQUISMO

 



O sadomasoquismo não sexual é também um derivado do mau gerenciamento da raiva. Mas ele está vulnerável a variações sutis em suas apresentações. 

Uma pergunta frequente é “por que sadomasoquismo é falado com sadismo e masoquismo juntos?” Porque no sadismo explícito existe masoquismo oculto, e no masoquismo explícito existe sadismo oculto. Vamos os exemplos.

Sadismo oculto no masoquismo:
1. Transformando o sofrimento em recurso, em ativo de manipulação pela culpa: 
Capitalização da vítima e do sofrimento

1a. Tanto em indivíduos quanto em grupos, a posição de vítima é passível de ser transformada em capital moral e político: a **nobreza do martírio**.

- A vítima não apenas sofre; ela ganha superioridade moral, direito de acusar, direito a reparações, direito de falar primeiro.

- Isso faz com que se viva da própria vitimização: o grupo ou a pessoa passa a precisar do algoz e do sofrimento para sustentar sua identidade e seu poder simbólico.

Exemplo: o mendigo pode querer não se curar de suas feridas, pois elas são sua fonte de renda.

Minorias perseguidas não quererem que a perseguição termine, pois ela virou um ativo, um recurso de sua superioridade moral.






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“NÃO É ATO FALHO!”

 



O ato falho (o erro ou o esquecimento) ocorre por ambivalência pouco aceita: você foi convidado a um evento chato, mas por alguém que você gosta. Uma valência quer ir (pela pessoa). A outra não quer (pelo evento). A que não quer ir não é bem aceita, é meio varrida para debaixo do tapete… e você não vai porque esqueceu a data.

Mas… o ato falho precisa ser distinguido de duas situações capazes de provocar erros e esquecimentos sem ligação com ambivalência: o TDAH (transtorno de atenção e hiperatividade) e a distração da multitarefa que acomete os idosos. 

A distração do TDAH já é bem conhecida, mas a dos idosos não. Um idoso pode cometer erros e esquecimentos, não por demência ou ambivalência, mas em situações em que tem que fazer várias coisas ao mesmo tempo, e uma ou mais delas acaba saindo errada ou esquecida, pois o “processador” já não é como outrora, tornou-se mais lento e menos ágil.








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quinta-feira, 26 de março de 2026

CUTTING

 


Cutting é o nome genérico para machucados feitos pela própria pessoa. Ele tem várias características:
1. Ele é mais frequente entre meninas, depois em mulheres, depois rapazes, por último homens. Entre os do sexo masculino, os cortes são menos comuns do que os socos, tapas e arranhões.

2. Ele tem motivações multifatoriais, a principal delas é a pessoa se tornar controladora autoral de seus sofrimentos psíquicos, deslocando a dor emocional para a dor física autocontrolada. 

Outro fator é a visibilidade do sofrimento, um pedido de socorro.  Fator de menor intensidade é a “moda”, a imitação por identidade, a visibilidade social exposta na mídia e nas redes sociais que o cutting adquiriu de alguns anos para cá. 

3. O principal sofrimento psíquico motivador é a depressão. Fruto de stress prolongado de angústia, ou de culpa, ou de raiva impotente (ou da combinação dos três), a depressão implica um desinvestimento num mundo que parece sem graça, um recolhimento isolado, uma avalanche de pensamentos catastróficos e uma irritabilidade que costumam ter como “remédio” de alívio mais comum os vícios (álcool, principalmente). 

Mas o vício do sadomasoquismo com os causadores do stress também é comum, e aí o cutting pode entrar como fator duplo: o masoquismo do sofrimento autoinfligido e o sadismo da “vingança vitimista de denúncia dos opressores”.

É importante que esses motivadores sejam vistos como sintomas compulsivos, mais fortes do que a pessoa, e não culpabilizados como má intenção, o que só agravaria o círculo vicioso. Ou seja, há o claro e justo pedido de ajuda.







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segunda-feira, 23 de março de 2026

ORIGENS DO FEMINICÍDIO, DA MISOGINIA E DA HOMOFOBIA



A Guerra dos Sexos começa quando a sociedade deixa de ser tribal-cooperativa e passa a ser agrária-hierárquica; nesse processo, o sexo vira moeda, a mulher vira suspeita, e o desejo vira vigilância.

Daí nasce a misoginia como forma histórica de controle da filiação, da herança e da escolha sexual. A mulher não é pensada como naturalmente traidora; ela é culturalmente construída como potencial traidora, porque o sistema precisa controlar a incerteza que ela representa para a ordem da propriedade e do amparo.

E a extensão disso à tribo LGBT é direta: o mesmo mecanismo que pune a feminilidade na mulher pune a feminilidade no homem gay, e pune ainda mais violentamente quem rompe a fronteira do gênero, como travestis e mulheres trans. 

Em outras palavras, a hostilidade contra LGBT não é um fenômeno separado da misoginia; muitas vezes ela é a mesma lógica, deslocada para outros corpos. O alvo é o desvio da norma masculina dominante, sobretudo quando esse desvio é lido como feminino, passivo ou indisciplinado.

O Superego entra aí como a história da tribo internalizada: primeiro como medo de desamparo, depois como culpa, vergonha e ridículo. 

A criança aprende a obedecer o senso comum da microtribo familiar, e a escola amplia isso em forma de homogeneização, bullying e hierarquia entre pares. Quem sofreu a humilhação aprende, muitas vezes, a repassá-la; quem foi submetido, aprende a desejar o lugar do submetedor.

Então, a fórmula geral seria esta:

A Revolução Agrícola concentrou poder, herança e vigilância; disso nasceu a microtribo familiar, dela nasceu o Superego, e dela se alimentam a misoginia, a homofobia e a transfobia como técnicas históricas de controle do desvio.








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sexta-feira, 20 de março de 2026

ENCONTRO ERÓTICO (perfis de desejo)

 




O desejo de encontro erótico é

. o principal resultado do “comando do DNA”, aquele que leva à sua replicação;
. é o mais forte fruto do nosso desejo maior (desejo de prazer);

Por esses motivos, resulta que o desejo de encontro erótico é o mais trabalhoso de se conhecer, pois no caso da nossa espécie, a complexidade de seus indivíduos forma um número considerável de perfis únicos. Ou seja, a espécie tem seu comportamento erótico com dois comandos: o do DNA e o do indivíduo.

Como o propósito da Psicanálise do Superego é aumentar o comando do indivíduo, é tirá-lo ao máximo da posição de marionete, seja da cultura/Superego, seja do DNA, o começo de conversa será o conhecimento desse desejo, começando pela orientação sexual.

ORIENTAÇÃO SEXUAL

Vamos combinar as duas escalas de orientação, partindo da Kinsey, que é a mais simples.
O usuário pesquisa nela o seu tipo, e então segue para a escala Klein para entender as sutilezas da manifestação de sua orientação sexual.

1. Base Kinsey (0 a 6)
• Tipo zero: heterossexual sem nenhum desejo homoerótico
• Tipo 1: hétero com eventual desejo/prática homoerótica
• Tipo 2: hétero com frequente desejo/ prática homoerótica
• Tipo 3: chamado de “bissexual”, pela frequência equivalente de desejo / prática homo/hétero
• Tipo 4: homossexual com frequente desejo / prática hétero
• Tipo 5: homo com eventual desejo / prática hétero
• Tipo 6: homo sem nenhum desejo hétero

Cada tipo funciona como um eixo principal — o ponto de partida para entrar na escala Klein.

2. Camadas Klein

Para cada tipo Kinsey, você pode aplicar:

• Atração sexual
• Comportamento sexual
• Fantasias sexuais
• Preferência emocional
• Preferência social
• Estilo de vida
• Autoidentificação

Pense nisso em três tempos (passado, presente, ideal), revelando o dinamismo interno de cada tipo.

3. Capacidade Circunstancial (aplicável aos tipos 0 e 6)

Essa dimensão reconhece que, mesmo em perfis de desejo exclusivo (hetero ou homo), pode haver expressão erótica oposta eventual, ativada por circunstâncias que sejam de vínculo afetivo, contexto social ou emocional profundo.

A partir de situações e consequências como:

• Tipo de vínculo (afetivo parental, institucional, emocional intenso)
• Contexto (prisão, internato, relação terapêutica, acolhimento)
• Expressão (afetiva, erótica, transitória, não repetível)
• Impacto (transformador, pontual, obsoleto, persistente)

Essa expressão circunstancial foi:

• Iniciada por acolhimento
• Sustentada por fusão emocional
• Encerrada sem conflito interno
• Reintegrada como parte da narrativa pessoal

Perfis do Desejo de Encontro Erótico
(Examine quais seriam suas preferências)

Eixo Perfis / Tipologias
Postura - Ativa (controle)- Passiva (entrega)- Alternada (com predominância ativa/passiva)

Orientação - Heteroerótico- Homoerótico- Bissexual- Nuances Klein/Kinsey (fluidez, contexto)

Modalidade de Excitação - Sensorial- Imaginativa/por fantasias - Verbal- Performática

Dinâmica Psicológica - Narcísica (autoafirmação)- Objetal (foco no outro, com desejo de interação afetiva)- Transgressiva- Ritualística

Estilo de Vinculação - voltada para o encontro e a pessoalidade - Distanciada (autonomia)- Ambivalente (oscilação)

Expressão Corporal/Estética - Exibicionista- Voyeurista- misturada - Estético/Erótico

Ritmo e Intensidade - Explosivo (urgente)- Contemplativo (voltado para o carinho, sem necessidade de finalização)- Intermitente (picos e pausas)