Freud percebeu nas histórias de seus clientes uma ligação apaixonada com a mãe e uma competição com o pai. Um viés erótico do grude. Mas eu não vejo assim.
Essa é uma das diferenças entre a psicanálise freudiana e a Psicanálise do Superego. Na época de Freud, havia essa coisa de filhos grudados nas mães e com medo do pai, o que o levou a ver nisso o conflito básico que levava à criação do Superego, à absorção das leis do mundo, a que ele chamou de “a dissolução do complexo de Édipo”.
Mas, em cinquenta anos de clínica, só encontrei um caso de cliente que teve fantasias eróticas com a mãe. Inúmeros casos de “grudados com a mãe e contra o pai”, mas não eroticamente.
De modo que concluí que, sim, a infância e a criação deixam marcas fortes e negativas que vão produzir doenças psíquicas mais tarde (ou mais cedo, já que as fobias atingem muito as crianças), mas que essas marcas não vêm de conflitos eróticos mãe / filhos (ou raramente vêm).
Por isso tendo a chamar o tradicional complexo de Édipo de “as marcas negativas da criação”.

Nenhum comentário:
Postar um comentário