quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

SOBRE O CHORO

 



“Como a psicanálise do Superego entende o choro?”

Francisco Daudt: Como uma revivência da nossa primeira maneira de expressar desconforto impotente.
Um bebê vive um ciclo muito básico de confortos e desconfortos. No conforto ele dorme ou até sorri. No desconforto, sua única maneira de reagir é chorando. O choro da criança causa desconforto nos pais, que buscam achar um jeito de atendê-la.

À medida que crescemos, vamos desenvolvendo maneiras de resolver nossos desconfortos e assim o choro vai-se tornando mais raro. Mas… há aqueles momentos em somos remetidos à impotência original diante de abalos sérios, como perdas irreparáveis, injustiças incorrigíveis, dores e desamparo, e aí só nos resta chorar.
Mas, você me perguntará, e o choro de felicidade, o choro diante da beleza da arte, do belo gesto, o choro da mãe que entrega a filha em casamento, o choro de orgulho dos pais na formatura do filho?

É o choro de alívio, de descanso. Um choro que chora tudo o que não foi chorado antes: “só deus sabe o trabalho que essa criança me deu, e agora minha missão está cumprida”.

Diante da beleza da arte, da música, da poesia etc., há um alívio diferente, o de nos vermos libertados momentaneamente da miséria e da pequenez da condição humana, que não nos é consciente o tempo todo, mas sabemos que está lá.

Isso tudo misturado ao encantamento e ao prazer que a estética nos produz, um momento em que nosso desejo de ordenação e paz se realiza.

A Psicanálise do Superego se vale de diversas fontes: da história da humanidade e da psicologia evolucionista inclusive. Sobre o choro, essas são essas as principais.
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