1. A verdade como conceito que depende de acordo de aceitação entre quem a propõe e quem a ouve
Eu já vi muitas pessoas aderindo a vários “tipos de verdade”: a do senso comum é a mais disseminada. Mas também existem a verdade religiosa, a científica, a mítica, a do “ouvi dizer”, a da fofoca e tantas outras.
Por isso concluí que verdade não existe como conceito isolado, autônomo, independente de quem a recebe. Ela só se realiza na relação entre a diz, o propositor (quem enuncia a verdade) e quem a ouve, o leitor (quem a recebe e a aceita ou não).
Pensar a verdade exige pensar, ao mesmo tempo, o “fator humano”, as motivações humanas dos dois lados dessa relação.
1. O lado do leitor: os três componentes da aceitação
Toda proposição tomada como "verdade" é aceita por meio de, ao menos, um destes três componentes — que na prática nunca aparecem isolados, mas combinados em proporções variáveis:
• Confiança — a proposição é aceita por causa da autoridade ou credibilidade de quem a enuncia.
• Conforto — a proposição é aceita porque traz alívio, consolo ou satisfação psíquica.
• Convencimento — a proposição é aceita pela força do argumento, da lógica ou da evidência.
Nenhum dos três vetores é ilegítimo em si — cada um responde a uma necessidade humana real. Mesmo uma verdade de convencimento (por exemplo, a eficácia de uma vacina) se propaga socialmente em larga escala através de confiança e conforto, e não apenas de convencimento direto: a maior parte da população nunca verifica pessoalmente a evidência que sustenta essa verdade.
1. A minha proposta para a Psicanálise do Superego: fazer propaganda do convencimento testado e funcional.
Reconhecendo e respeitando a confiança e o conforto como partes legítimas da aceitação humana da verdade, minha proposta é fazer a defesa — a "propaganda" — do convencimento como meu meio predileto, sem desqualificar os outros dois.
Mas o convencimento que defendo não é aquele a que apenas vem da lógica — o convencimento dedutivo, para mim, não é o bastante. Quero um convencimento testado: se a proposta lógica for submetida à prova prática e não passar no teste, será descartada como “não verdade”.
O critério que proponho, portanto, é o convencimento lógico, sim, mas também testado, que se mostra funcional — que resiste à prova e demonstra que funciona, mesmo quando outras proposições já gozam de grande aceitação por confiança e conforto.
Esse e o meu objetivo para a construção da Psicanálise do Superego: um trabalho que não tem fim, pois seus achados sempre estarão vulneráveis à contestação, segundo a proposta do Karl Popper, meu farol-guia do conhecimento científico.

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