As mulheres foram as principais vítimas do Superego e do senso comum do comportamento sexual. Só como exemplo, o termo “homem honesto” significa um elogio em termos de valores morais genéricos, mas “mulher honesta” remete imediatamente a uma moral sexual.
Isso veio da transição do lugar da mulher entre os caçadores-coletores (livre para o sexo casual; nem havia ligação entre sexo e procriação) para o lugar da mulher depois da revolução agrícola, há 10 mil anos, pois uma vez surgida a propriedade privada e a herança, a mulher passou a ter sua vida sexual vigiada para não gerar filhos bastardos. Daí vem o patrulhamento de sua sexualidade, daí vem o “Superego da mulher honesta”.
Nas mulheres, por conta das variações hormonais (ciclo menstrual, gravidez, pós-parto, menopausa), as causas orgânicas devem ser consideradas em primeiro lugar, só depois se devem investigar as psicológicas.
O tesão das mulheres, pela baixa testosterona, não é principalmente visual, como o dos homens. Ele costuma funcionar em dois tempos: a mulher acha um homem “interessante”; o homem a olha com desejo; ela aí sente desejo.
O desejo de ser desejada, o principal entre as mulheres, também acontece com os homens em menor proporção.
Mas em 10% das mulheres, os níveis de testosterona mais altos geram tesão visual idêntico ao dos homens. Essas são as mais vulneráveis ao Superego, mesmo depois de o feminismo ter conquistado muito terreno, e o senso comum ter se abrandado quanto ao direito ao desejo feminino.
Termos Atuais
O que se chamava de “frigidez”, e eu chamo de dificuldades sexuais femininas, engloba várias situações diferentes, por isso “dificuldades” no plural:
•Pouco desejo, cujo nome complicado é “Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo”: Falta ou redução significativa de desejo sexual, impactando a vida diária, mas também, como nos homens, ele pode significar desencontro de desejos, a menos que seja geral.
•Problemas de Excitação Sexual: Dificuldade em lubrificação ou excitação genital, mesmo com estímulo adequado (pensar em causa hormonal).
•Falta de orgasmo, cujo nome complicado é Anorgasmia: Incapacidade ou retardo persistente no orgasmo, apesar de excitação normal. Mas sempre lembrando que o orgasmo nas mulheres vem principalmente da estimulação do clítoris; o orgasmo vaginal só acontece numa minoria.
É importante lembrar que, uma vez que a cultura nos condenou à monogamia, o sexo passou a conviver com o Superego numa proporção desmedida, principalmente para as mulheres. Só como exemplo, a masturbação feminina era vista até há muito pouco tempo como algo criticável, como sinal de que a mulher não era “tão honesta” assim, que era meio “devassa”.
Outro atrapalhador, tanto para homens quanto para mulheres: no casamento o sexo passou à categoria de “deveres conjugais”, algo que inibe tremendamente o desejo. Para elas, o sexo passou a ter a conotação de amparo (“ele não vai me abandonar, não vai arrumar outra”) e de prestígio (“se ele não me procura, é porque não gosta mais de mim”). Com essas “cláusulas contratuais”, o desejo ficou em distante segundo lugar.
Ou seja, a cultura pós agrícola e o Superego surgido dela atingiram profundamente o desejo das mulheres. Mulheres com dificuldades sexuais precisam conhecer bem as tolices que seu Superego lhes diz.
Isso afetou a psicanálise de maneira surpreendente: pode-se dizer que a psicanálise nasceu a partir dos problemas sexuais das mulheres, pois se o Superego atual é cruel, imagine o da época vitoriana do final do século XIX. A histeria (neurose histérica) foi a primeira pista a ligar sintomas psíquicos a um conflito inconsciente.
Foi a primeira pista para que Breuer e Freud, inicialmente através da hipnose, descobrissem que o desejo sexual das mulheres, ao colidir com seu Superego, causava doenças.
(Acima: foto gerada por IA)
Experimente: drdaudtai.com

Nenhum comentário:
Postar um comentário