## 1. Resumo do “algo em mim” (Id) - o Inconsciente
Aquilo que Freud chamou de * das Es* – o famoso Id – pode ser traduzido, em bom português, como esse “algo em mim”, “algo em nós”, que não é o eu, não é uma pessoa, mas um motor interno que empurra, puxa, sabota, protege e complica a nossa vida.
Nesse “algo em mim” há quatro grandes conjuntos:
1. **Desejos** - todos os desejos são movidos por incômodos que buscam alívios.
- O desejo de prazer, escrito no DNA para garantir sobrevivência e reprodução (cujos motores são o tesão, o apetite).
- Os desejos “acessórios” do prazer:
- desejo de justiça (cujo motor é a raiva de não aguentar ver injustiça e desigualdade escancarada),
- desejo epistemológico (cujo motor é a curiosidade, vontade de conhecer e entender como as coisas funcionam),
- desejo de controle e ordenação (cujo motor é a insegurança que o caos produz, precisar pôr ordem no mundo interno e externo).
- Tudo isso mora no Id, no “algo em mim”: eu não escolho ter esses desejos, eles já vêm no pacote.
2. **Medos**
- Esse mesmo Id, esse “algo em mim” carrega medos que vêm com a máquina, cuja função é a sobrevivência:
- medo de desamparo (ficar sem proteção, sem quem cuide),
- medo de estranhos (desconfiar do que não é familiar),
- medo de altura, confinamento, escuridão, bichos perigosos, e outros medos que fizeram sentido na evolução e hoje, muitas vezes, viram fobia ou ansiedade “deslocada”.
- Os dois medos principais são os de desamparo e de estranhos. São eles que possibilitam o adestramento da pessoa para a instalação do Superego.
3. **Superego adestrado (parte inconsciente)**
- O Superego não “vem com a máquina”; ele se forma pelo adestramento na infância, baseado na concentração de poder que os pais têm sobre os filhos, que farão qualquer coisa para não perderem o amparo deles.
- Depois de formado, uma parte desse Superego desce para o porão e vira motor inconsciente que nos aplica choques a cada vez que “saímos da linha”:
- choques de angústia,
- choques de vergonha,
- choques de ridículo,
- choques de culpa.
- O sujeito só sente o choque; o comando que disparou aquilo (que pode ser resumido como “você está contrariando o senso comum da sua tribo! Vai perder o amparo!”) fica escondido no “algo em mim”.
4. **Reprimido (produto da briga desejo/superego)
- Coisas que um dia chegaram perto da consciência, foram consideradas inaceitáveis e empurradas para baixo: fantasias, raivas, invejas, desejos considerados “proibidos” pelo superego e pela tribo.
- Esse material reprimido continua ativo, criando “manifestações conscientes do inconsciente reprimido”: sintomas, neuroses, vícios, sonhos, lapsos, formações reativas (como o “bonzinho demais”), sempre vindo de um “algo em mim” que o Eu não controla.
Em resumo, o Id é esse “algo em mim” que:
- quer prazer, justiça, conhecimento, controle;
- tem medos ancestrais (desamparo, estranho, altura, etc.);
- carrega choques de superego que viraram automáticos;
- e guarda o reprimido da briga entre desejo e proibição.

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