sexta-feira, 12 de junho de 2026

SOBRE O ID E SEU CONTEÚDO - O QUE MORA EM NOSSO INCONSCIENTE

 



## 1. Resumo do “algo em mim” (Id) - o Inconsciente 
Aquilo que Freud chamou de * das Es* – o famoso Id – pode ser traduzido, em bom português, como esse “algo em mim”, “algo em nós”, que não é o eu, não é uma pessoa, mas um motor interno que empurra, puxa, sabota, protege e complica a nossa vida.

Nesse “algo em mim” há quatro grandes conjuntos:
1. **Desejos** - todos os desejos são movidos por incômodos que buscam alívios.
   - O desejo de prazer, escrito no DNA para garantir sobrevivência e reprodução (cujos motores são o tesão, o apetite).  
   - Os desejos “acessórios” do prazer:  
     - desejo de justiça (cujo motor é a raiva de não aguentar ver injustiça e desigualdade escancarada),  
     - desejo epistemológico (cujo motor é a curiosidade, vontade de conhecer e entender como as coisas funcionam),  
     - desejo de controle e ordenação (cujo motor é a insegurança que o caos produz, precisar pôr ordem no mundo interno e externo).  
   - Tudo isso mora no Id, no “algo em mim”: eu não escolho ter esses desejos, eles já vêm no pacote.

2. **Medos**
   - Esse mesmo Id, esse “algo em mim” carrega medos que vêm com a máquina, cuja função é a sobrevivência:  
     - medo de desamparo (ficar sem proteção, sem quem cuide),  
     - medo de estranhos (desconfiar do que não é familiar),  
     - medo de altura, confinamento, escuridão, bichos perigosos, e outros medos que fizeram sentido na evolução e hoje, muitas vezes, viram fobia ou ansiedade “deslocada”.  
   - Os dois medos principais são os de desamparo e de estranhos. São eles que possibilitam o adestramento da pessoa para a instalação do Superego.

3. **Superego adestrado (parte inconsciente)**
   - O Superego não “vem com a máquina”; ele se forma pelo adestramento na infância, baseado na concentração de poder que os pais têm sobre os filhos, que farão qualquer coisa para não perderem o amparo deles.
   - Depois de formado, uma parte desse Superego desce para o porão e vira motor inconsciente que nos aplica choques a cada vez que “saímos da linha”:  
     - choques de angústia,  
     - choques de vergonha,  
     - choques de ridículo,  
     - choques de culpa.  
   - O sujeito só sente o choque; o comando que disparou aquilo (que pode ser resumido como “você está contrariando o senso comum da sua tribo! Vai perder o amparo!”) fica escondido no “algo em mim”.

4. **Reprimido (produto da briga desejo/superego)
   - Coisas que um dia chegaram perto da consciência, foram consideradas inaceitáveis e empurradas para baixo: fantasias, raivas, invejas, desejos considerados “proibidos” pelo superego e pela tribo.  
   - Esse material reprimido continua ativo, criando “manifestações conscientes do inconsciente reprimido”: sintomas, neuroses, vícios, sonhos, lapsos, formações reativas (como o “bonzinho demais”), sempre vindo de um “algo em mim” que o Eu não controla.
Em resumo, o Id é esse “algo em mim” que:
- quer prazer, justiça, conhecimento, controle;  
- tem medos ancestrais (desamparo, estranho, altura, etc.);  
- carrega choques de superego que viraram automáticos;  
- e guarda o reprimido da briga entre desejo e proibição. 


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