Fiz um guia prático para que a pessoa conheça seus desejos e vá desmontando seu Superego.
Os alunos vão usar o roteiro tanto na clínica quando para eles mesmos.
ROTEIRO RESUMIDO PARA USO NA CLÍNICA:
1. DESADESTRAR O SUPEREGO
2. CONHECER SEUS DESEJOS
1. Desadestrando o Superego:
### Parte 1 – Quando bater culpa, vergonha, ridículo ou medo de julgamento
Sempre que você sentir um desses choques emocionais:
- culpa (“fiz algo imperdoável”)
- vergonha (“sou ridículo, não valho nada”)
- medo do ridículo (“vão rir de mim, vão me achar um lixo”)
- medo moral (“sou uma pessoa má por ter pensado/sentido isso”)
faça este pequeno exercício mental:
1. Pergunte: “Que lei estou supostamente transgredindo?”
- Coloque em frase simples:
“Homem não pode chorar.”
“Ser gay é errado.”
“Desejar outra pessoa é traição imperdoável sempre.”
“Filho decente nunca critica pai e mãe.”
2. Pergunte: “Do senso comum de que tribo vem essa lei?”
- É lei de qual ambiente?
- Da minha família?
- Da minha igreja?
- Do bairro onde cresci?
- De um senso comum de outra época (século XIX, moral vitoriana, patriarcado, etc.)?
- Diga para si mesmo:
“Essa lei é da tribo X, em tal época. Não é lei do universo, é lei dessa tribo.”
3. Pergunte: “Essa lei faz sentido para mim hoje?”
- Com o que eu sei hoje de vida, de gente, de ciência, de ética:
- Essa lei protege alguém?
- Ou só me machuca e me envergonha à toa?
- Se a resposta for “não faz sentido” ou “só me tortura”, você não é obrigado a obedecê‑la.
- Não é preciso “matar” a lei; basta dizer internamente:
“Eu sei de onde você vem. Você não manda mais em mim do mesmo jeito.”
Repita isso sempre. A repetição é o “comportamental”: você treina o reflexo de investigar o Superego, em vez de ajoelhar diante dele.
***
### 2. Conhecendo seus desejos
Aprendendo o perfil singular do seu desejo, quando ele se aplica aos encontros pessoais
Agora, o outro lado: aprender como é o seu desejo, do seu jeito, com a sua história. Pense em três tipos de encontro:
- Encontro afetivo
- Encontro intelectual
- Encontro erótico
Faça perguntas simples em cada área.
#### 2.1. Desejo afetivo
Pergunte a si mesmo:
- Com quem eu gosto de estar? Como gosto de cuidar e ser cuidado?
- Que tipo de “clima afetivo” me faz sentir vivo: brincalhão, terno, sério, de parceria, de proteção, de “paizinho”, de “mãezona”…?
- Que experiências da minha vida ajudaram a formar esse jeito de desejar?
- Faltas que doeram?
- Pessoas que me encantaram, reais ou de livros/filmes?
Escreva, se puder, em poucas frases:
“Meu desejo afetivo tem cara de…” (e descreva: pai, amigo, amante, parceiro, protetor, aluno, etc.).
#### 2.2. Desejo intelectual
Pergunte:
- Em que tipo de conversa eu me sinto em casa?
- Explicando?
- Discutindo?
- Contando histórias?
- Ouvindo?
- Que tipo de mente me atrai?
- Gente curiosa?
- Gente clara?
- Gente irônica?
- Que livros, filmes, figuras (professores, personagens) despertaram em mim o desejo de pensar “como eles” – ou “ser para alguém” o que eles foram para mim?
Escreva:
“Meu desejo intelectual tem cara de…” (mentor, aluno, par que pensa junto, debatedor, professor, etc.).
#### 2.3. Desejo erótico
Com cuidado e honestidade consigo mesmo, pergunte:
- Que tipo de corpo, gesto, voz, atitude me desperta?
- Em que clima eu me sinto erótico: ternura, jogo, humor, admiração, poder, entrega?
- Que cenas (da vida real, de filmes, de fantasias) marcaram o meu erotismo?
- O que é que eu busco, no fundo, quando desejo alguém: ser visto, ser acolhido, ser protegido, ser desejado, ser admirado, ser cuidado? Ou o contrário: ver, acolher, proteger, desejar, admirar e cuidar?
- Meu desejo é mais receptivo (passivo) ou mais fazedor (ativo)?
- No caso de misturas de características, qual o percentual de cada uma?
Escreva:
“Meu desejo erótico tem cara de…” (e descreva sem censura; é para você, não para mostrar para ninguém).
***
### Como usar as duas práticas juntas
- Sempre que o Superego te atacar (culpa, vergonha, ridículo), faça o exercício das leis e tribos (Parte 1).
- Regularmente (uma vez por semana, por exemplo), retome as perguntas sobre seu desejo afetivo, intelectual e erótico (Parte 2) e vá refinando as respostas.
A ideia é:
- Afrouxar cordéis que puxam você para uma vida obediente a leis idiotas.
- Fortalecer os cordéis do desejo que fazem sentido para você, com a sua história, com o seu jeito.
Com o tempo, a “resultante” – a direção geral da sua vida – vai ficando menos alinhada com a vontade da tribo e mais afinada com aquilo que realmente te faz sentido.

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