Alessandro Gagnor Galvão me pergunta a diferença entre Prometeu e Lucifer.
Ela equivale à diferença entre democracia e tirania.
Prometeu foi simplesmente castigado por roubar o fogo dos céus.
Lúcifer cometeu pecado Infinitivamente mais grave: ele trouxe a luz, a lucidez, a razão, coisas que ameaçam o poder do deus Superego.
Ele não foi propriamente castigado, ele ganhou um reino, o Hades, e foi eleito (junto com a razão) o antimodelo do sistema, o inimigo público da fé cega, da qual o poder dos deuses sempre dependeu. Uma espécie de sócio do deus.
Como Goldstein, do "1984", do Orwell, um "sócio" do Grande Irmão, que precisa ser odiado, pois assim o deus concentra em si todo o bem, pois o demônio tem o monopólio do mal.
Eles são uma contribuição preciosa para o “pensamento Cecília Meirelles”: ou isso, ou aquilo; ou é bom, ou é mau, binário, sem variações percentuais.

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