A felicidade não é um lugar absoluto, um estado a que se chega e onde se fica. É uma maneira de viver. Como diz um antigo dito, ela não é uma estação de chegada, e sim uma maneira de viajar.
Ela depende de duas coisas que se alimentam uma à outra:
1. conhecer os próprios desejos;
2. desobstruir os processos que levam à realização desses desejos.
Quem conhece o que deseja consegue identificar o que trava o caminho até a realização. Quando o caminho se abre, o desejo fica mais claro. Como isso é uma construção constante, felicidade é a própria viagem ser prazerosa, e não uma meta alcançada.
Por isso a fórmula de Thomas Jefferson, na Declaração de Independência americana, é tão precisa. Ele não garante um direito à felicidade, o que seria impossível. Garante um direito à busca dela. O que se pode assegurar a alguém é a liberdade de percorrer o caminho, não a chegada.
Em termos dopaminérgicos, na neuroquímica cerebral, a felicidade tem parentesco com o caça-níqueis. O caça-níqueis é uma caricatura do processo: reduz tudo a uma repetição mecânica de tentativa e erro.
Mas o caminho da felicidade também se constrói assim. Erra-se, acerta-se, descobre-se, encontram-se jeitos, retiram-se empecilhos. Essa construção, com suas expectativas, erros e acertos, é em si dopaminérgica, ou seja, causadora de prazer de realização.
Esse é o lado positivo do que o caça-níqueis explora. Ele imita o prazer da caça e da coleta de nossos ancestrais, em que o resultado nunca era garantido e a própria busca já mobilizava o organismo para o prazer da brincadeira.
No vício, a incerteza fica girando no vazio em torno de si mesma. Na felicidade, a incerteza serve a um caminho que vai sendo construído, que se aprende com o tempo e que dá prazer na própria construção.
Na ilustração abaixo, da direita para a esquerda, John Adams. Thomas Jefferson e Benjamin Franklin escrevendo a Declaração de Independência.


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