Cutting é o nome genérico para machucados feitos pela própria pessoa. Ele tem várias características:
1. Ele é mais frequente entre meninas, depois em mulheres, depois rapazes, por último homens. Entre os do sexo masculino, os cortes são menos comuns do que os socos, tapas e arranhões.
2. Ele tem motivações multifatoriais, a principal delas é a pessoa se tornar controladora autoral de seus sofrimentos psíquicos, deslocando a dor emocional para a dor física autocontrolada.
Outro fator é a visibilidade do sofrimento, um pedido de socorro. Fator de menor intensidade é a “moda”, a imitação por identidade, a visibilidade social exposta na mídia e nas redes sociais que o cutting adquiriu de alguns anos para cá.
3. O principal sofrimento psíquico motivador é a depressão. Fruto de stress prolongado de angústia, ou de culpa, ou de raiva impotente (ou da combinação dos três), a depressão implica um desinvestimento num mundo que parece sem graça, um recolhimento isolado, uma avalanche de pensamentos catastróficos e uma irritabilidade que costumam ter como “remédio” de alívio mais comum os vícios (álcool, principalmente).
Mas o vício do sadomasoquismo com os causadores do stress também é comum, e aí o cutting pode entrar como fator duplo: o masoquismo do sofrimento autoinfligido e o sadismo da “vingança vitimista de denúncia dos opressores”.
É importante que esses motivadores sejam vistos como sintomas compulsivos, mais fortes do que a pessoa, e não culpabilizados como má intenção, o que só agravaria o círculo vicioso. Ou seja, há o claro e justo pedido de ajuda.

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