A Guerra dos Sexos começa quando a sociedade deixa de ser tribal-cooperativa e passa a ser agrária-hierárquica; nesse processo, o sexo vira moeda, a mulher vira suspeita, e o desejo vira vigilância.
Daí nasce a misoginia como forma histórica de controle da filiação, da herança e da escolha sexual. A mulher não é pensada como naturalmente traidora; ela é culturalmente construída como potencial traidora, porque o sistema precisa controlar a incerteza que ela representa para a ordem da propriedade e do amparo.
E a extensão disso à tribo LGBT é direta: o mesmo mecanismo que pune a feminilidade na mulher pune a feminilidade no homem gay, e pune ainda mais violentamente quem rompe a fronteira do gênero, como travestis e mulheres trans.
Em outras palavras, a hostilidade contra LGBT não é um fenômeno separado da misoginia; muitas vezes ela é a mesma lógica, deslocada para outros corpos. O alvo é o desvio da norma masculina dominante, sobretudo quando esse desvio é lido como feminino, passivo ou indisciplinado.
O Superego entra aí como a história da tribo internalizada: primeiro como medo de desamparo, depois como culpa, vergonha e ridículo.
A criança aprende a obedecer o senso comum da microtribo familiar, e a escola amplia isso em forma de homogeneização, bullying e hierarquia entre pares. Quem sofreu a humilhação aprende, muitas vezes, a repassá-la; quem foi submetido, aprende a desejar o lugar do submetedor.
Então, a fórmula geral seria esta:
A Revolução Agrícola concentrou poder, herança e vigilância; disso nasceu a microtribo familiar, dela nasceu o Superego, e dela se alimentam a misoginia, a homofobia e a transfobia como técnicas históricas de controle do desvio.
Experimente: drdaudtai.com

Nenhum comentário:
Postar um comentário